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Tom Fernandes
De Tom Fernandes

Editor na Probook Editorial e Comunicação
Goiânia e Região, Brasil

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Deus foi almoçar, de Ferréz

Deus foi almoçar

Este ano resolvi voltar a postar minhas opiniões sobre os livros que leio. Depois de uma folga no começo do ano, este é o primeiro livro que li em 2014.

Acompanho a escrita do Ferréz há mais de dez anos, artigos, opiniões e contos sempre agudos, pontuando a dura realidade brasileira. Não preciso falar de sua carreira como articulista, como escritor da dita literatura marginal etc.

O que preciso falar é que Ferréz me surpreendeu neste livro. Ele foi muito além do que eu, leitor que já o conhecia, poderia esperar.

A história de Calixto, num caleidoscópio narrativo, transcorre entrecortada ao longo dos capítulos sempre sintéticos, sempre curtos, sempre econômicos.

Se a luta pela sobrevivência existencial do protagonista nos angustia, se seus breves flertes com um amor redentor e se suas incursões pela crueza do amor mal pago nos mostram que há um coração em busca de sentido, Ferréz já sentencia: “Se a felicidade é um ponto de vista, Calixto estava cego”.

Em tempos que a literatura anda cada vez adocicada, é bom ler algo tão visceral, cru e com cheiro de rua, não de “relvas encantadas por ondem passeiam os que amam”. Não é minha intenção resenhar o livro, portanto termino com a indicação de que você o leia o mais rápido possível.

Serviço:

Deus foi almoçar (240 páginas)

Ferréz

Ed. Planeta

R$ 25,00 (média)

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e assim foi 2013 no #pequenosdramas

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 9,400 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 3 sold-out performances for that many people to see it.

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Como identificar modinhas (e não cair nelas de para-quedas)!

sofativismo em sua essência.

sofativismo em sua essência.

Em tempos de cybercurrais e muito sofativismo, nada mais sintomático do que a manifestação inflamada de gente que, de uma hora pra outra, se torna advogada de uma causa.

É errado defender uma causa? De forma alguma. Desde a preservação das matas ohanianas até a extinção dos terríveis pedintes de vida para candy crush, toda causa merece ser defendida.

A pergunta é: você sabe o que está defendendo? Você estudou sobre a causa que passou a defender depois da matéria no último Profissão Repórter? Se a resposta for não ou mesmo um singelo ‘mais ou menos’, você caiu numa modinha e as chances de falar merda são enormes.

Veganismo, feminismo, adoção de animais, salvar crianças bruxas na África, vida minimalista, simplicidade voluntária, budismo etc. são assuntos sérios, que contam com uma galera séria lutando por ideais nobres (em sua maioria) e não precisam de deslumbradinhos mostrando mamilos verbais em discussões e proselitismo que deixaria o mais aguerrido testemunha de Jeová de saco cheio.

Isso vale tanto para redes sociais, fb, twitter, instagram, quanto para blogs, sites, festinhas e outras manifestações no conforto do seu sofá-cama.

Enfim, este não é um texto contra o ativismo social, contra a busca e a defesa de causas importantes. É um singelo toque: não é porque você acabou de descobrir um tema importante para sua vida (a menos que sejam as unhas anti-apartheid) que você se tornou especialista nele para dar conselhos e cagar regras que ainda nem conseguiu compreender, quanto mais seguir.

Ativismo, querido recém-chegado, é mais que modinha, é mais que discurso; é ação constante e coerente.

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Amor trancado no portão de ferro

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As horas vindas após um velório costumam ser lentas e pesadas. É preciso entender que a razão da vida é a morte para que a angústia não consuma o coração de quem há décadas trocou a esperança pela paciência. Após os filhos criados, cada velório traz uma pergunta: quando será o meu? Era esse o pensamento de Olavo enquanto caminhava em direção ao seu carro, do lado de fora do cemitério municipal. Tantas décadas longe daquela cidade e nada parecia igual. Nada lhe trazia lembranças. Só o cemitério de uma cidade nunca muda, nada move a morte de seu passo brando. Olavo se lembra de algo e pergunta se a rua de sua infância ainda seria a mesma, se a casa de portão de ferro ainda estaria lá.

Olavo decide ir até lá. São duas ou três quadras. Em dez minutos, ele já caminha pelas calçadas de sua infância. Tropeça já no primeiro desnível com a garotinha linda de sua infância. Ouve longe sua mãe mandando tomar cuidado com os carros na esquina. Enquanto caminha, devagar, sua mente corre, pula os canteiros e chega arfando ao portão de ferro, onde morava Mariana. Mariana que Olavo amou tanto nas férias de final de ano, o último ano em que morou na cidade antes da família se mudar. Olavo aos poucos chega onde seus pensamentos o aguardam afogueados. É difícil acompanhar tantas lembranças correndo soltas, ainda mais as de um garoto de doze anos apaixonado pela primeira vez em sua vida. Suas mãos enfim seguram trêmulas a fechadura do mesmo portão de ferro que um dia guardou o primeiro e único beijo que Mariana lhe dera. Olavo suspira como se pudesse trazer de volta, de dentro de si, todo o calor daquela manhã de janeiro em que Mariana o chamou de bobo e ele disse que ninguém poderia ser tão chata quanto ela. Ela olhou no raso de seus olhos e chorou instantaneamente. Ele ficou desesperado, pedindo perdão e prometendo fazer qualquer coisa para ela parar de chorar.

— Qualquer coisa? — disse Mariana cortando o soluço de pronto.

— Qualquer coisa! — e Olavo já pensava em comprar o maior sorvete do mundo praquela menina chata de tão linda. Talvez deixá-la ganhar na corrida.

— Me beija, Olavo. — e Olavo engasgou o estômago na boca.

— Te beijar? Como? — custou a perguntar, as palavras queimando em sua boca.

— Assim!

E Mariana tatuou seus lábios na boca de Olavo.

— Senhor? Posso ajudá-lo?

— Oi? Não… Não, meu jovem. Estou bem.

— O senhor parece perdido. Quer ajuda? O senhor tá segurando os lábios? Está passando mal? É a pressão? Quer um copo d’água?

— Não, não. Só me lembrei de algo. Já estou indo. Desculpe o incômodo.

Olavo retomou o caminho pelas calçadas de sua infância. Trêmulo, seu caminhar de uma vida inteira ia lento, consumindo os últimos passos na esquina do tempo. Tivesse dado um último suspiro, tivesse olhado para trás uma última vez, teria visto o portão se abrir para o rapaz que o abordara. Teria visto uma senhora pequena, de vestido floral e cabelos cinzentos beijar a face do rapaz lhe abençoando.

— Quem era no portão, Júnior?

— Não sei vó. Um velhinho. Acho que passou mal, mas disse que já estava bem e foi embora.

— Gente de idade é assim mesmo, Júnior. Entra, fiz café.

Enquanto seu neto entra pelo jardim, Mariana pousa as mãos sobre a fechadura do portão e, sentindo uma brisa quente como a de um janeiro perdido no tempo, suspira perguntando a si mesma quem poderia saber de Olavo, aquele garoto bobo a quem dera seu primeiro beijo de amor.

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da arte da perfeição

— De que adianta a comida ser bem-feita, com carinho, no intuito de alimentar quem se ama? 
— De nada, você usou salsinha e usar salsinha é pecado mortal contra mim.
— De que serve querer a vida saudável, o esporte, a endorfina pelo corpo?
— De nada, você não alcançou as marcas que acho dignas.
— De que vale o riso, a alegria, o humor que nos aproxima?
— De nada, você riu uma vez da coisa errada e vou te lembrar disso para sempre.
— De que serve a devoção, o cuidado, o interesse genuíno em construir uma relação?
— De nada, você não me adora prostrado no chão.
— De que vale buscar o caminho do meio, a consciência, a sabedoria, o aprendizado ao longo dos anos?
— De nada, se você não está pronto para ser perfeito agora.

e assim não aceitamos nada que não seja perfeito.

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O que Jesus faria nestas manifestações?

Fico imaginando a revolução social que aconteceria se os evangélicos entendessem que o deus em que creem é um Deus-Homem, que Jesus vandalizou no templo, que acolheu prostitutas e escorraçou os ‘tele-evangelistas’ de sua época, que confrontou governantes tiranos e sempre, SEMPRE, esteve ao lado dos que sofrem.

Fico imaginando o dia em que o marcha-soldado pra gzus se tornará uma Marcha, uma revolução, uma baderna!

Dizem os evangélicos que são “o povo que se chama pelo Meu Nome”, mas não agem honrando este nome. Fazer algo “em nome de Jesus” não é confabular rezas e simpatias, mas sim AGIR EM NOME DOS POBRES E OPRIMIDOS! Isso inclui mulheres, crianças, negros, gays, lésbicas, travestis, assim como operários, doentes e marginalizados todos.

Você, que diz crer em Jesus de Nazaré, vá à luta, a mesma que terminou numa cruz dois mil anos atrás!

ser cristao é ir às ruas