O que Jesus faria nestas manifestações?
17/06/2013 § Deixe um comentário
Fico imaginando a revolução social que aconteceria se os evangélicos entendessem que o deus em que creem é um Deus-Homem, que Jesus vandalizou no templo, que acolheu prostitutas e escorraçou os ‘tele-evangelistas’ de sua época, que confrontou governantes tiranos e sempre, SEMPRE, esteve ao lado dos que sofrem.
Fico imaginando o dia em que o marcha-soldado pra gzus se tornará uma Marcha, uma revolução, uma baderna!
Dizem os evangélicos que são “o povo que se chama pelo Meu Nome”, mas não agem honrando este nome. Fazer algo “em nome de Jesus” não é confabular rezas e simpatias, mas sim AGIR EM NOME DOS POBRES E OPRIMIDOS! Isso inclui mulheres, crianças, negros, gays, lésbicas, travestis, assim como operários, doentes e marginalizados todos.
Você, que diz crer em Jesus de Nazaré, vá à luta, a mesma que terminou numa cruz dois mil anos atrás!
não orem mais por mim
28/04/2013 § 17 Comentários
[Este não é um texto provocativo. é apenas uma reunião de tudo o que tenho ouvido nos últimos tempos. Ouvido de gente que disse me amar, não apenas gostar de mim porque eu era o típico cristão evangélico cuja premissa de espiritualidade era a prosperidade financeira. Este é um texto confessional. Um texto que grita "quem ama não odeia o ser amado". Um texto que pede "me perdoe por não pensar como você". Um texto que implora "me deixem em paz".]
— Tom, tá sumido, cara. Nunca mais te vi!
— Ué, continuo com os mesmos números, redes, sociais etc.
— Cara, ando preocupado com você. Não é mais o mesmo…
— Isso não é bom? Tô tentando progredir como gente.
— Então, mas fiquei sabendo que você tá virando mendigo…
— Simplicidade voluntária. É diferente. Se quiser, te explico.
— Cara, tô mesmo preocupado com você. Posso orar contigo?
— Comigo ou por mim?
— Por você…
— Sobre o que você quer orar por mim?
— Pra Deus te resgatar…
— Chegou atrasado, cara. Ele já fez isso.
— Então você voltou pra igreja de vidro?
— Não.
— Então você continua desviado?
— Eu diria que estou achado, mas depende de contexto e boa vontade.
— Boa vontade com o que, cara? Você abandonou a fé. Tá aí todo questionador.
— Eu abandonei as certezas, não a fé. E questionar é dever de todo ser a quem Deus deu cérebro, não?
— Bem que me disseram. Tão inteligente que perdeu o coração.
— Perdi o quê?
— Seu coração. Seu coração não é mais de Deus.
— Cara, tem mais algum jargãozinho pra soltar?
— Não. Podemos orar?
— Ok, você quer fazer uma oração evangélica por mim, é isso?
— Sim.
— Você então quer orar comigo, ou melhor, por mim, conforme as doutrinas protestantes, certo?
— Certo. Posso?
— Pode.
— Ok! Então repita comigo…
— Não dá!
— Por quê?
— Porque seria reza e os protestantes não rezam. Você ora e eu digo amém no final. Aprende-se isso em qualquer aula de catecúmenos…
— Catê o quê?
— Catecúmenos. Aulas de preparação para o batismo dos novos convertidos.
— Ok, então. Mas abra seu coração.
— Tudo bem. Vamos lá.
— Ó, doce Espírito Santo, viemos à tua presença neste momento…
— Ei, não dá.
— Que foi? Cara, vigia, o diabo não quer que você receba oração.
— Não. Não é isso. Você tá sendo herético.
— Tô sendo o quê?
— Tá cometendo heresia, cara.
— Por quê?
— Porque não se ora ao Espírito Santo, mas a Deus pai.
— Mas é tudo igual…
— Sério? Então Deus pai foi crucificado e Jesus apareceu sobre o Espírito Santo em forma de pomba…
— Como é? Não. Não, cara. Para com isso. Você tá com espírito de confusão.
— Tô nada. Eu até quero que você ore por mim, mas quero que ore direito, como bom evangélico protestante que cuida de seguir a sã doutrina.
— Ok, podemos continuar?
— Sim!
— Senhor Jesus, queremos colocar o Tom na sua presença…
— Ei, espera. Como assim? Deus é onisciente, cara. Não tem como eu sair da presença dele.
— É só modo de dizer.
— Modo de dizer é o mesmo que “vãs repetições”?
— Não. Posso terminar?
— …
— Senhor, estamos aqui para te pedir que o Senhor possa estar abençoando a vida desse irmão…
— Péra! De novo, cara. Deus é onipotente?
— É! Lógico! Mas o que tem isso a ver?
— Se Deus é onipotente, por que você tá pedindo pra que ele “possa fazer alguma coisa”? Ele pode fazer todas as coisas. Você tá sendo incrédulo.
— Ok, cara. Ok. Podemos?
— Sim.
— Deus, eu quero te pedir que o Senhor encha o coração de meu irmão de temor por ti…
— Ei! Tá errado!
— O que foi agora?
— A Bíblia não diz que Deus é amor?
— Sim.
— E também não diz que onde há amor não existe medo?
— Sim!
— Então, como você quer que Deus coloque medo no meu coração se ele é o Deus de amor?
— Cara, fecha os olhos e deixa eu orar que tô perdendo a paciência com você…
— Ok, vamos lá! Mas pra que fechar os olhos?
— Pra você conseguir se concentrar em Deus…
— Mas ele não está em todo lugar? Ok, ok. Olhos fechados…
— Deus, quero te pedir que o Senhor traga teu servo de volta pra verdade…
— Sério, cara? Qual verdade, a sua? A da igreja de vidro? A do pastor da TV?
— Quer saber, Tom? Desisto de você. Você bem merece o que está passando.
— Quer saber, cara? Acho melhor eu ir pra Zona*.
— Pra onde?
— Nada não. Esquece.
[*Zona é como chamamos um grupo de amigos que se reúnem num grupo do Facebook para discutir religião e espiritualidade sem dogmas ou amarras]
sete anos de #pequenosdramas
25/04/2013 § 4 Comentários
Fui olhar agora há pouco sem maiores pretensões. O primeiro texto aqui é de 19/4/2006. Que estranho ver o tanto e em tantas coisas mudei. Reparei que alguns textos meus têm dezenas de milhares de leitores, alguns passam dos milhares, algumas dúzias ficam nos mil e poucos leitores e, lá embaixo, vários textos com um, dois, três leitores.
Este blog se mostrou sempre incoerente, relapso, cheio de indas e vindas. Quando o comecei, eu era cheio de crenças e dono de uma fé inabalável. Cria que ia conquistar o mundo com meus vinte e nove anos.
Hoje não creio em quase nada e duvido do resto. Mas estou reaprendendo a viver. Perdi tudo o que lutei pra ter nos últimos dez anos. Fiquei sem nada. Talvez seja o melhor presente que ganhei na minha vida.
Não há bem o que comemorar. Talvez apenas o fato de ter virado personagem de Tarantino e seguir em frente seja hoje o único caminho aceitável. Aprendi que não sou senhor nem escravo de ninguém. Talvez da minha opinião sobre mim mesmo, dando alguma voz ao Thoreau, que venho lendo nas últimas semanas.
É isso! Parabéns! Este blog chega aos sete anos. É o fim da inocência!
Por que escrevo, afinal?
11/03/2013 § 1 Comentário
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada. / Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.” Álvaro de Campos, em Poema em linha reta
Não escolhi ser escritor para ajudar ninguém, mas para salvar a mim mesmo. Se o que escrevo ajuda, conforta, incentiva ou apenas distrai quem lê e quem lê me retorna com sua experiência, sinto-me grato, mas como um palhaço que lida com os aplausos e risos da plateia. Escrevo para um único objetivo: manter-me lúcido. Sim, lúcido. Desde criança, precisei inventar histórias, um mundo, amores, amigos para me manter lúcido. Olhe o mundo à sua volta e me responda se não estou certo. Como disse Renato Russo, “solidão já vi pior, de endoidecer gente sã”.
Aprendi a conviver com o mundo através de palavras. Sim, através eu disse. As palavras são um meio físico para mim. São tangíveis, porosas, duras, rústicas. Na frase, na oração, na sintaxe eu as dobro, convenço ao inominável, tornam-se moças de fino trato, muito embora eu continue sem dinheiro na mão. Se escrevo sobre o tempo, o clima, a pressão e as demais condições ideais de ebulição de um coração desenhado na mão, sou eu quem arde no fogo; meu leitor apenas observa o espetáculo e atira moedas conforme o gosto.
É tudo inventado, eu queria dizer. É tudo inventado, afirmam muitos, como se descobrissem um truque no cadafalso em que me penduro. Mas não há truques e o pescoço com hematomas e vértebras quebradas é sempre o meu. Maldição, gritam ao me ver ressurgir. A maldição maia não ocorreu, ficou perdida em algum calendário de carnavais passados, mas o encanto! Ah, o encanto maia me domina a alma.
Enfim, este texto reabre este blog como o repositório de meus ensaios. O novo blog (pequenosdramas.wordpress.com) ficará com minha ficção, com meus poemas e prosas poéticas. Sejam bem-vindos de volta. Quem é de casa já sabe: aqui volto a dar pitaco em tudo e, como sempre, estarei completamente certo.
uma oração por Marco Feliciano
07/11/2012 § 13 Comentários
“Não é que nem negro que nasce negro e não tem como mudar. ‘Homossexualismo’ pode ser mudado”, disse o pastor Marco Feliciano.
Diante de mais essa declaração, é óbvio compreender que, se pudesse, o digno pastor e deputado, mudaria os negros para compleições mais, digamos, aceitáveis.
Não sou psicólogo, mas essa declaração pública dada pelo deputado/pastor, somada às anteriores dadas por ele sobre os negros biblicamente amaldiçoados, se contextualizada com a progressiva “higienização” de sua aparência (em pouco mais de um par de anos foi de mulato bronzeado, cabelo pixaim e feições másculas para um ser andrógino, esbranquiçado de cremes, cabelo alisado e tingido, sobrancelhas desenhadas, lentes de contato azuis etc.), isso tudo mostra que há, no mínimo, um sério problema de autoestima corroendo o nobre deputado.
São Paulo – A Comissão de Seguridade Social e Família promoveu uma audiência pública para debater a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe os profissionais da área de oferecerem tratamentos para “curar” homossexuais. A norma é de 1999, mas ainda causa polêmica entre setores religiosos de psicólogos e deputados.
A polêmica foi retomada na Câmara dos Deputados, onde tramita um projeto do deputado João Campos (PSDB-GO) que defende o fim da resolução – e agora a questão vem sendo debatida em audiências públicas. Os deputados Pastor Eurico (PSB-PE) e Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) criticaram a ausência de pessoas favoráveis aos tratamentos no debate que ocorreu ontem.
De acordo com informações da Agência Câmara de Notícias, o debate foi resposta à outra reunião na qual foi dado espaço às pessoas que acreditam em uma “cura” para homossexualidade.
Segundo a assessoria do deputado Pastor Eurico, o parlamentar não é a favor de “tratamento compulsório”, mas acredita que os gays que buscarem tratamento “de forma voluntária” devem ter o direito de recebê-lo.
Os deputados não se consideram homofóbicos e defendem que, mesmo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não considere homossexualidade uma doença, ela ainda pode ser tratada. “Não é que nem negro que nasce negro e não tem como mudar. ‘Homossexualismo’ pode ser mudado”, disse o pastor Feliciano.
Recentemente, o estado da Califórnia se tornou o primeiro dos Estados Unidos a abolir a aplicação de terapias de “conversão” de homossexuais. No Brasil, a norma do Conselho Federal de Psicologia já está em vigor há mais de dez anos.
Link da matéria: http://exame.abril.com.br/brasil/politica/noticias/deputados-defendem-cura-para-gays
Obrigação
18/10/2012 § 1 Comentário
— Tô feliz!
— Legal!
— Não, cara, sério: tô feliz!
— Que bom, cara!
— Cara, acredita em mim. tô mesmo feliz!
— Parabéns, cara!
(choro compulsivo)
Tempos hipermodernos, velhos personagens
16/10/2012 § 3 Comentários
Deve ser difícil a vida hoje para lobos bobos e ovelhas lelés. São personagens caricatos, de ingenuidade e esperteza também caricatas. São personas monocromáticas vivendo em um mundo em cores de alta fidelidade. Não deve ser fácil para os lobos bobos ter Reinaldo Azevedo como referência política e Olavo de Carvalho como livre pensador. Se bem que cultuar Zé Dirceu e Paulo Henrique Amorim como tais é prova de que a maquininha de tosquiar acabou lobotomizando as ovelhinhas.
Fácil, tranquilo como uma manhã de domingo deve ser repetir jargões, bordões e frases feitas copiadas da internet e servidas com arrogância em conversas. Basta serem dogmáticas e atribuídas a alguma figura “incontestável”. Quer transformar esta manhã num domingo sangrento? Discorde! Diga ao dono da verdade “Professor, deixe as crianças em paz!” e, pronto, você será atacado. Afinal, coisa que lobos bobos, de profundidade alguma, sabem fazer é atacar de forma um tanto apatetada quem mostre o quanto são ridículos em cima de foguetes caçando passarinhos.
Reconheço que lidar com a informação, com o conhecimento, com o saber fora das páginas absolutas dos livros caros de uma época em que ler era símbolo de status social e econômico é tarefa que assusta. Saber que num ponto qualquer da rede há alguém mais arguto, mais novo, mais pronto e mais hábil deve ser desolador pra quem se prende ao ranço academicista e, leitor privilegiado que era dos jornais da capital, se supunha muito melhor que os inteligentes locais. Hoje, ser apenas mais um comentarista de blog de política com viés maniqueísta, seja ultraconservador, seja revolucionário ultrajovem, deve provocar calafrios dignos do Frajola ao se ver abismo abaixo.
O que fazer, para onde ir, se só você tem as palavras de vida eterna?, perguntam os adoradores da santa platitude. Os cultuadores do óbvio ululante agora procuram qualquer lugar comum para se sentirem em casa. Mas há uma porta pintada na parede! Há uma saída pela esquerda! Esta até o Eufrazino Troca Tapas sabe: “Se não pode com eles, junte-se a eles!” Ou, na impossibilidade, junte-se aos inimigos deles. O que pode haver de pior nestes dias do que essa desconstrução do saber e dos sabidões? O renascer dos trolls, dos ataques covardes e, preferencialmente, anônimos. Junte-se a este exército numa emboscada final.
Nesta hora, até as ovelhinhas sabem o que fazer. Basta berrar toda vez que a pessoa odiada abrir a boca. Nem precisa fazer sentido, berrem!, explica o Manual da Ofensa Geral e Desqualificada. Para que discutir abertamente, para que se abrir ao argumento pelo argumento, para que reconhecer algo novo vindo de alguém também novo? O MOGD diz que, uma vez que seus argumentos de autoridade sejam descontruídos, você deve acusar seu inimigo (Lembre-se sempre: Deus está do lado de quem vai vencer!) de ser inferior; mas diga isso com um adjetivo no diminutivo. Tente “bobinho” se tiver respeito pelo adversário. Se não, vá de “burrinho” mesmo e tente esconder seu desespero. Se o interlocutor ousar descontruir sua fonte ou replicar com outra, apele e o chame de “pretensioso” (afinal, quem pode contradizer você e escapar ileso, não é mesmo?). Percebeu que a plateia está solidária ao pobre coitado? É hora de pesar a mão e chamá-lo de “ignorante”. Persista duvidando das capacidades intelectuais até plantar uma razoável dúvida sobre seu oponente. Já dura o embate e você está sem forças para continuar? Lembre-se das aulinhas de teatro do colegial (ou da Carminha) e se faça de ofendido. Diga, com olhar de Madre Tereza, que não vai mais tentar salvar o “arrogante” da perdição que é pensar por conta própria.
Nesta hora, quem sabe resolva rezar, mas só se for de fato devoto. Ser católico por opção política conservadora ou simpatizante dos evangélicos por tesão no Malafaia não serve. Reze para que Deus destrua o diferente, o que não pensa igual, o que não aceitou seu cabrestão. Mas, cuidado, como bom católico, você deve conhecer Provérbios 20:10 e saber que “ter dois pesos e duas medidas é objeto de abominação para o Senhor”.
Enfim, se tiver sobrado alguma coisa aí dentro, além da caiada casca, tente rir da situação e entenda que os tempos mudaram. Troque as farpas, os tapas e o deboche por um pouco de sinceridade. A coisa ruim é que nem lobos bobos, nem ovelhas lelés, nem mesmo os discípulos do Eufrazino entendem o valor de uma bela risada. Ao fim de tudo, estarão chamuscados, bufando e tentando entender o que deu errado, uma vez que do outro lado do monitor, alguém rindo perguntará: “O que que há, velhinho?”




