Dia das mulheres, abortos e um pouco de drama

por @tomfernandes

Meu primeiro filho nasceu há alguns dias. É um garoto lindo, esperto e saudável. É mais do que isso, é querido. Minha esposa e eu o desejamos muito, oramos e cremos contra o diagnóstico terrível de infertilidade. Não sabia que era possível sentir tão violenta paixão. Entendi finalmente o que me disse o Danilo: que na primeira vez que teve seu filho em seus braços, se alguém o tentasse tomar, ele mataria. Amo assim meu filho, de forma quase selvagem. E meu amor por minha mulher, que já era grande e devotado, apesar das faíscas que duas personalidades fortes causam, meu amor por essa mulher aumentou ainda mais em forma de gratidão e respeito. Ela é sim a mulher da minha vida.

Já que falei na mulher da minha vida, nesta segunda-feira passada foi o Dia das mulheres. Foi engraçado ver o quanto as pessoas são taxativas em suas afirmações. Eu, que não gosto de taxas, escrevi algumas coisas em homenagem às mulheres, não porque elas têm “um dia para elas”. Mas sim porque devo a elas tudo o que sou. Em suma, escrevi: “Motivo mais importante para ser grato: nas mãos de uma mulher, ganhei o direito de nascer; a escolha de um homem era bem outra na ocasião”. Ocorre que a afirmação quase passou batida na quantidade de comentários a favor e contra a data. Quase porque uma pessoa foi atingida pela sinceridade daquela consideração: Eu. Sim, eu levei um baque quando li o que eu mesmo havia escrito. Sabe a tal epifania? Então, nessa frase consegui entender um dos pontos principais dos meus “pequenos dramas de um protestante diletante”.

E aqui volto atrás num ponto que sempre mantive em minha vida de blogueiro: nunca falar da intimidade das pessoas próximas a mim. Não que vá virar um despudor e vá contar causos e chiliques familiares. Pra isso, já há subcelebridades suficientes. Abro uma exceção, melhor assim, para contar um ponto específico da minha história de vida. Sou da primeira grande geração dos filhos de pais separados, dos fins de semana com os pais, da geração envergonhada de dizer que “papai não ama mais a mamãe”. Sou dessa geração, mas não é este o meu caso. Meu caso foi mais canseira um pouco. Em 1975, mamãe, que namorava papai, ficou grávida, descobriu um monte de galinhagem do papai e tomou uma decisão difícil em sua vida. Em suma, fui o famigerado “filho-de-mãe-solteira”. Isso na década de 1970 não era bolinho.

Neste mesmo 1975, em outubro, Vladimir Herzog foi encontrado morto na cela do DOI-CODI. Outra vida teve destino diferente: a minha [e daqui explico uma das poucas posturas intransigentes que tenho na vida]. Sim, a decisão mais difícil da vida de minha mãe não foi “casar ou comprar uma bicicleta”. Foi olhar o homem que a engravidou e dizer: “Não, eu não vou tirar o bebê!” [um pouco mais de metatexto: agora começa a parte ‘drama’ do título. Se já achou piegas até aqui, vá ver as últimas notícias do BBB ou rir das kibadas do Tabet]

Não sou contra o aborto porque seja pecado. É pecado, mas como tal Deus perdoa. Não sou contra o aborto porque seja crime. É crime, mas pode deixar de ser com uma canetada num pedaço de papel oficial. Não sou contra o aborto porque acho que a mulher não tem domínio sobre seu corpo. Tem sim, o que falta a muitas é responsabilidade sobre ele. Minha única razão para ser contra o aborto sou eu mesmo [e essa razão é incontestável para mim]. Meu único motivo para não admitir o aborto como solução para concepções não desejadas está diante de mim todos os dias no espelho. Minha mulher diz que é feliz, que se sente abençoada ao meu lado. Minha mãe se orgulha quando ouve isso. Meu pequeno filho é lindo, esperto e saudável. Minha mãe, minha mulher e eu nos alegramos muito com ele. Eu já fiz muita merda na vida, mas tenho uma caminhada até legal. A família da minha mãe me ama, me admira e gosta pra caramba de mim. Eu tenho alguns grandes amigos e tenho gente que gosta de mim mais do que eu faço por merecer.

As considerações do último parágrafo é que me fazem ver no Dia das mulheres não uma data para dar flores ou fazer gracejos, mas um dia para olhar para minha mãe e não falar nada, apenas explodir de orgulho de ser seu filho. Minha mãe é talvez, talvez porcaria nenhuma, minha mãe é sim a mulher mais corajosa que eu conheço. Eu sei. Eu estou aqui pra provar. Trinta e tantos anos atrás, ela cometeu um desatino: ela sacrificou seu futuro, sua juventude e seus sonhos, mas não me sacrificou. “Credo, Tom, falando assim o aborto até parece uma coisa ruim”. Não estou mais falando de aborto, estou apenas agradecendo a minha mãe por ela não ter aceitado a proposta covarde do meu pai biológico. A propósito, sim, eu o conheço e durante anos a fio até tentei conviver. Ele é muito bem-sucedido em sua carreira, casou-se e tem três filhos. Os únicos que ele apresenta como filhos. Tentei fazê-lo me amar, mostrar para ele que eu “valia a pena”. Inútil. Para ele, em sua covardia, é como se minha mãe tivesse tomado a “decisão certa”.

Um posfácio, se me permitem

Faltou a parte em que dou lição de moral e digo que a mulher vai pro inferno se abortar, né? Afinal eu sou cristão e “os cristãos pensam assim”. Eu não farei isso. Sei que há casos em que a dor da maternidade seria insuportável, não cabe a mim dizer até onde alguém deve ir. Sei também que há situações em que uma escolha de vida ou morte deve ser tomada. Se for este o seu dilema, eu, na minha “intransigência”, peço apenas o seguinte: reflita, medite, ore, reze, faça o que for, antes de tomar a “decisão certa”. Ouvi de um pastor algo muito significativo: “Não bata no peito pra condenar uma mulher prestes a abortar sem ter a coragem de dizer ‘me dê, eu quero esse filho pra mim’”. Uma das decisões que eu e minha mulher tomamos diz respeito à adoção. Sei que, como nós, inúmeras outras famílias anseiam pela chance de ter um filho nos braços. Então, sim, eu condeno com todas as minhas forças o aborto. Principalmente o aborto contraceptivo, o estético e o tardio. Não consigo imaginar o aborto como política de saúde pública, me desculpem. Mas não condeno a mulher que, movida pelas circunstâncias, faça o aborto. Todavia, se houver como, procure alguém [tenho pessoas sérias para indicar] e abra seu coração. Oro para que você escolha “errado” e dê, doe, oferte para alguém a criança que você não quer, ou não pode querer. Um dos maiores milagres de Deus está em transformar o sofrimento em alegria, o desespero em contentamento e o ódio em amor. Eu sei. Eu sou prova viva disso.

[Prometi esse texto ao @roneyb, do Meme de carbono no fim do ano passado. Espero que ele entenda minha demora.]

19 Responses para “Dia das mulheres, abortos e um pouco de drama”

  1. “Credo, Tom, falando assim o aborto até parece uma coisa ruim”. É ruim mesmo. Fosse bom, você não estaria aqui para nos contar, bravamente, sua história.

  2. Falar de nós mesmos é muito difícil e a demora é completamente compreensível!

    Também tenho fortes ligações com a questão da interrupção da vida, de qualquer vida, mas principalmente da humana, principalmente da de crianças ainda por nascer. Em grande parte porque sou fértil apenas de ideias, mas jamais poderei passar meus genes adiante. O que sou fisicamente acabará com o fim do meu corpo ao contrário de todas as pessoas que reproduzem.

    Queria que todas as pessoas pudessem ter opções quando se vissem diante de uma gravidez indesejada ou de risco, mas a esmagadora maioria de mulheres que se encontram nessa situação são jovens e pobres. Elas não podem falar com os pais, nem mesmo com seus supostos guias espirituais pois sabemos como são numerosas as religiões que reservam suas mais intimidantes violências contra a mulher que se entrega ao sexo sem ter casado.

    Se essas pessoas pudessem procurar um órgão legalizado e instruído para lhes apresentar opções, apresentá-las a casais ou instituições dispostos a adotar seus filhos…

    Infelizmente o aborto é crime e quem se vê diante de uma gravidez indesejável deve contar com a sorte de ter amigos ou um espírito forte para enfrentar essa barra…

    Outras até enfrentam, mas se enchem de ódio pelo fruto sagrado do seu ventre e criam seus filhos com crueldade incompreensível para pessoas como nós…

    Por isso sou a favor do fim da criminalização do aborto! Temos que trazer para nossos braços essas mulheres enclausuradas em labirintos de ódio e preconceitos.

  3. Sábado fez um ano que meu filho nasceu, e ainda sinto esse mesmo amor absurdo desde que o vi pela primeira vez na sala de parto.

    Oro sempre para que não tenha simplesmente um bom filho e sim que antes de tudo eu seja um bom pai e tenha um ótimo papel em sua vida então creio que o que virá será somente conseqüencias por vezes boas e por outras ruim no rumo normal de nossa vida.

    Espero que você curta bem o tempo passa muito rápito.

    Abraço e parabéns pelo filhão!

  4. Adorei o texto, Tom. Tenho a mesma visão que você tem a respeito do aborto.
    Abraço,

    Carolina

  5. Acho que esse foi o texto com melhor argumento contra aborto que já li.

    Só posso agradecer!
    Então, obrigada pela sua mÃe deixar vc existir para que eu pudesse ler este texto.

    Deus os abençoe!

  6. Simplesmente, chorei!

    Você merece o meu mais profundo respeito! E o tem!

    Irene.

  7. Eu chorei.
    Tá eu sou chorona…
    Mas eu como mãe, me coloquei no lugar da sua mãe, e não há nada mais belo do que a gratidão, Tom.
    Sim, ela com certeza se abdicou de muitas coisas por você. Se valeu a pena? Ela sabe bem a resposta.
    Obrigada por tão linda homenagem.

    Beijos

  8. Conhecendo mais um pouco da sua história, meu amigo. Jesus foi o único a reconhecer o valor das mulheres em toda a bíblia, olhando pra história de Maria madalena , lembro de suas palavras vá e não peques mais,enquanto a sociedade a condenava e a tripudiava por suas ações, ele a perdoou. Concordo sobre o aborto e aqui me sinto unânime a todos que comentaram, sua mãe fez a escolha certa, teve um filho maravilhoso e um neto lindo agora,com certeza o orgulho que ela tem sobre a atitude tomada a 30 e tantos anos atrás é dobrado com toda certeza.Parabéns a ela pela firmeza de decisão e pelo amigo que admiro que ela resolveu colocar neste mundo de Deus. Um bjo. Parabéns Tom e mulheres pelo nosso dia.

  9. SIMMM !! Você é muito amado, e você foi a coisa “errada” mais acertada que titia fez!
    bjokk

  10. Camarada, como um jurista não dá pra dizer que o aborto é crime. Como um cristão, não posso dizer que quem aborta passará a eternidade no inferno. Mas não me esqueço de Madre Teresa; aliás, seu texto me fez lembrá-la. Diz a história que ela dizia: Não abortem seus filhos, deem-me todos!
    A Constituição permite alguns tipos de aborto, mas penso que a questão está para além de qualquer positivação jurídica. Penso que quando somos desafiados a pensar no aborto, não podemos, jamais, nos esquecer da vida que nasce (feto) e da vida que continua (mãe). Mas sua mãe é uma boa resposta pra muitas, talvez todas, questões que envolvem o aborto. É de mulheres como ela, que, como você, defendo ser o aborto uma prática da última instância. Parabéns pelo post, parabéns pela mãe que tens, pela esposa que tens e pela vida que és.
    Nunca será demais defender a vida. Nunca!

  11. Tom,
    Adorei seu texto! Quem dera todas as pessoas conseguissem expressar seus sentimentos e mostrar o que tem vivido assim como você fez! Parabéns!!!

  12. Bom dia! Tom, não te conheço, mas sua história faz muito bem valer o que eu sempre pensei em relação ao aborto. O aborto não diz respeito a vida dos outros, mas à nossa. Aposto que, se cada pessoa fizer uma retrospectiva de sua vida, uns 90% vai ver que seus pais tiveram um dos motivos que hoje se alega “direito de abortar”.

    Eu mesma. Minha mãe engravidou de mim “sem querer”, e meu pai estava “lançando carreira solo” num escritório de contabilidade. Grana curta, futuro incerto, mas minha mãe nem pensava em abrir mão da minha vida. E eu sou muiiiito grata a ela por isso, por mais que ela não tenha sido “apresentada” a essa “alternativa”.

    Meu filho é outro exemplo. Como sua mãe, engravidei solteira. Não consigo imaginar o que seria da minha vida hoje sem ele. E ouso desafiar um abortista (não uma mulher que abortou, mas esses que arrotam indiferença para com a vida dos outros) a dizer na cara do meu filho que a vida dele não faria diferença nesse mundo. Ele faz a minha alegria e a do pai dele, há um ano e 4 meses (+ 9 meses) sentimos essa alegria que você está sentindo, e cada dia aumenta.

    Meu afilhado nasceu de uma criança de 14 anos. É a razão de viver dos pais e dos avós, e conta com mais dois irmãos que vieram depois, num casamento que venceu todos os obstáculos e está firme e forte há 15 anos.

    Não condeno uma mulher que fez aborto, apesar de que muitas o fazem por relaxamento, sim. “Lei do menor esforço”. Mas àquelas que tiveram o livre direito de fazer o que os outros mandaram (essa é a verdade do aborto), a essas eu gostaria de ter estado lá para mostrar a realidade, a verdade de que um filho não precisa ser um estorvo, e matá-lo não é a solução.

    Em compensação, Tom, sou dura com aqueles que vêem no aborto algo “normal”, que abortariam pela simples possibilidade da criança nascer no dia daquela festa imperdível. Sou intransigente com aqueles que defendem até a morte um ovo de codorna, mas afirmam categoricamente que um bebê no ventre não é uma vida digna, que pode ser assassinado porque “não sente nada mesmo”. Esses, sim, se não se arrependerem, ouso dizer que provavelmente passarão os dias eternos num lugar não muito agradável.

    Manda um abraço a sua mãe por mim. Dê a ela meus parabéns e muito obrigada. Ela é uma mulher de verdade.

  13. Para o Roney: sim, Roney, existem esses lugares. Muitas instituições ligadas, principalemnte, às Igrejas, acolhem mães em estado de risco.

    O Padre Lodi, por exemplo, orienta mães vítimas de estupro, mães adolescentes, mães que sofrem maus tratos dos companheiros, e muitas vezes ele tem que conseguir um abrigo para elas.

    http://www.providaanapolis.org.br

  14. Rapaz, o aborto não soa como uma coisa ruim quando se está num debate humanitário e quando alguém dá chilique por aí condenando a postura da Igreja Católica.

    Mas ele parece a pior coisa do mundo quando a gente percebe que alguém, com vida, história, erros e acertos poderia nem ter a chance de existir.

  15. Olá, Tom. Encontrei o seu blog via outro blog que sigo. Li seu texto e fiquei muito sensibilizada. É uma história de existência admirável graças também ao amor e a fé de sua mãe. Criar um filho sozinha é uma batalha para poucas guerreiras.

    Se é difícil cuidar de uma responsabilidade grandiosa sozinha, muitas mulheres inseridas em uniões matrimoniais, mesmo representando a imagem apoiada das convenções sociais, nem sempre estão prontas para assumir o papel de mãe.

    Ser mãe é ter sabedoria para ser mãe.

    Abraços, felicidades para você e sua família,
    Marielle Sant’Ana.

  16. Tom, te sigo no twitter e vim parar aqui. Hoje, eu estou realmente incomodada com a postura dos cristãos sobre o aborto.

    Quase chorei lendo sua história…. e pensei na minha.

    Minha mãe ficou grávida solteira, também há 30 anos. Não pensaram em abortar (eu acho), mas eu lembro que me contaram a seguinte versão:

    Minha avó conversando com o meu pai disse: se você não amar minha filha não precisa casar. Desse bebê, eu tomo conta.

    Meu pai assumiu minha mãe e eu… e fomos muito felizes.

    Quando eu lembro disso, agradeço a Deus, por minha avó ser uma mulher de coragem também… já viúva, com pouco estudo e com uma situação bem precária na época…

    Para mim, como cristã, não consigo entender quem é a favor. Não vou condenar quem fez… mas apoiar a prática é algo que vai frontalmente contra os valores do Reino de Deus.

    E concordo com você sobre a responsabilidade da mulher sobre seu corpo… e também do homem… Afinal, camisinhas são distribuídas gratuitamente pelos postos de saúde, assim como pílulas e informação está à mão de quem quiser.

    Mas, graças a DEUS por mulheres como as que fazem parte da nossa vida!!!

  17. Cara, sensacional!
    Também sou cristã e como você sou contra o aborto, mas não consigo condenar quem o tenha feito, ou pense em fazer. Claro que se alguém me falasse “estou pensando em tirar” eu apresentaria meus argumentos e até ajudaria a pessoa com outras opções… mas infelizmente não posso decidir por ninguém.

    Minha mãe também teve uma decisão difícil a fazer. Quando ela descobriu que estava grávida de mim o casamento já não ia bem, e minha irmã mais velha (na época com 16 anos) tinha acabado de ter um filho. Ela tinha 40 anos e o próprio médico disse que “era melhor tirar” porque naquela idade… Minha mãe não era cristã, mas ela acreditava em Deus e disse pro médico que se Deus tinha colocado aquele bebê ali, ela não ia tirar. Se Ele quisesse, Ele mesmo tiraria.

    Ele tanto não quis que eu estou aqui. :) Depois que eu nasci ainda veio outra decisão difícil… O divórcio… com dois nenês em casa e uma adolescente rebelde… Sim, a minha mãe foi, sem dúvida, a mulher mais corajosa que eu conheci.

    Obrigada por compartilhar sua história e pelo belo argumento contra o aborto. Parabéns pelo seu filho! Aqui também lutamos contra o diagnóstico da infertilidade e a nossa princesa tem 7 meses e meio!

    Fiquem com Deus!

  18. A fila para adotar criança até 3 anos é enorme, se a adoção fosse mais incentivada, o aborto se tornaria mínimo. O problema é que é socialmente errado dar seu filho embora, é socialmente inaceitável, e esse socialmente pesa muito na hora da decisão…

    Ótimo texto, Deus te abençoe!

Trackbacks

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s