Posts tagged ‘Amigos revisores’

22/08/2009

O preço e o valor do seu trabalho

por @tomfernandes

Uma das maiores discussões entre editores, revisores, diagramadores e todos os outros profissionais envolvidos no processo editorial diz respeito aos valores pagos. Já ouvi gente dizendo que, se recebe tanto, faz um serviço x; mas, se receber só tanto, faz um serviço -x. Sei de uma coisa, toda pessoa que me disse isso nunca mais pegou um serviço por indicação minha. Abaixo, uma reflexão do meu amigo Pablo sobre o tema.

O Tradutor Profissional pergunta se vale a pena trabalhar direito, mesmo recebendo pouco. Ele lembra a história daquele cozinheiro de restaurante que, por ser mal pago, cuspia na comida. (…) O infeliz que comia no restaurante, coitado (…), comia comida com cuspe. E quem come a nossa comida não é nem a agência nem o cliente da agência, mas sim o leitor.

Faço minhas suas palavras. Não somos obrigados a consentir com o valor e o prazo do cliente. Não precisamos sequer aceitar o trabalho que nos oferece. Já que decidi revisar, que faça bem-feito e entregue em dia.

Quando alguém contrata um revisor, está interessado em qualidade. Revisar com excelência é questão de respeito (ao cliente, ao leitor, ao colega de profissão). Se isso não fosse motivo suficiente para caprichar: não há melhor forma de divulgar seu trabalho que revisar com perfeição.

29/05/2008

30000 acessos

por @tomfernandes

É isso. Mãe, vó, tia, bem, amigos e amigas, chegamos aos trinta mil acessos este ano. Agora entendo o que meus sobrinhos tanto fazem em lan houses: eles pedem pra acessar o blogue de todos os pcs. Só pode.

27/05/2008

Momento Saramago [01]

por @tomfernandes

Já comentei com uma pá de gente que aprecio muito o escritor José de Saramago. Já disse inclusive que ele é meio um referencial pra mim e pra muita gente que mexe com livros. Inclusive ele escreveu um livro em que um revisor é o protagonista.

Mas vamos lá. Meu grande brother Pablo publicou um vídeo do Saramago que me emocionou de verdade. Resolvi então fazer o que já tinha vontade há tempos, criar o “Momento Saramago”. Ei-lo:

O único Nobel de Literatura de nossa língua virou filme. Isso você possivelmente já sabe. O que talvez não saiba é o que se vê quando uma câmera está apontada para o lugar certo na hora certa.

Duvido você não engasgar.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY

24/05/2008

De mão em mão [Conheça o bookcrossing]

por @tomfernandes

Não sabe o que fazer com aqueles livros que você não quer mais guardar? Que tal “soltá-los na natureza”? Essa é a proposta do projeto “Bookcrossing” (BC ou, ao pé da letra, “troca de livros”): tornar o mundo uma grande biblioteca. Basta deixá-los em um local público, onde outros possam adotá-lo.

No início dos anos 2000, o americano Ron Hornbaker, sócio da empresa de desenvolvimento de softwares Humankind Systems, criou o site “bookcrossing.com” para seguir os passos de livros libertados em várias cidades do mundo. Para entrar na brincadeira, basta se cadastrar no site e registrar as obras que vocêpretende doar. A pessoa recebe um número de identificação para cada obra, que deve ser colada em uma etiqueta ou até anotada à mão. Os organizadores ainda pedem que o leitor inclua no livro um bilhete explicando do que se trata o projeto e convidando seu novo dono a entrar no site e informar que encontrou aquele título. Ele pode então ler o livro se quiser e depois dar a um amigo ou deixá-lo em local público, dando continuidade à corrente. Pela página virtual, os participantes ainda podem se comunicar uns com os outros e trocar livros pelo correio.

Quando a relações-públicas Helena Castello Branco começou a participar do Bookcrossing, há um ano e meio, percebeu que era a iniciativa ideal para aplicar o conhecimento adquirido em seu curso de pós-graduação em gestão de projetos culturais. “Projeto cultural não é só conseguir patrocínio pela Lei Rouanet, fazer um show e lucrar. É preciso pensar no benefício para a comunidade”, diz. Conseguiu de um sebo uma doação de 500 obras, mas percebeu que, no Brasil, o retorno é pequeno. “De cada 50 livros que soltávamos, apenas um era registrado. Nos EUA, os garçons dos cafés nem recolhem os livros deixados nas mesas, já sabem que é bookcrossing”, diz.

Por isso ela consultou os coordenadores do projeto e criou, em outubro de 2007, uma “Zona Oficial de Troca de Livros” (OBCZ, na sigla em inglês) em São Paulo (veja o endereço no final desta reportagem). A exigência principal é simples: o local precisa ser aberto ao público. Não pode ser em um prédio residencial, por exemplo. Além disso, o voluntário deve acompanhar o movimento sempre que puder e tentar captar novos livros. No início, havia cerca de 300 obras disponíveis na OBCZ paulistana. Mas poucas pessoas abastecem o acervo com doações, e hoje restam apenas 30 títulos.

A dedicação é, inclusive, financeira. Helena arca com todo os gastos de transporte dos livros, produção de folhetos de divulgação, etiquetas e carimbos. “Queremos apresentar o projeto para investidores, mas precisamos antes da aprovação dos coordenadores”, diz Helena, que também deseja criar zonas na periferia e no centro da cidade. Sua esperança é que um dia o BC Brasil consiga manter uma fonte de renda como seu correspondente americano, com doações e venda online de acessórios como camisetas, etiquetas, marcadores e sacolas para acondicionar os livros.

Gostou da idéia? Então passe adiante a idéia e seus livros.

BOOKCROSSING EM NÚMEROS • 662.463 pessoas de 130 países cadastradas
• 3.700 trocadores de livros oficiais no Brasil, sendo que 1.600 são de São Paulo
• 4.688.540 livros registrados
• 25 livros à solta no Rio de Janeiro ainda não foram encontrados ou registrados

Fonte: Revista Galileu

12/05/2008

Escrever: a abertura de poços profundos

por @tomfernandes

Escrever pode ser uma verdadeira disciplina espiritual. Escrever pode nos ajudar a nos concentrar, a entrar em contato com o que há de mais profundo em nossos corações, a clarear nossas mentes, a processar emoções confusas, a refletir sobre nossas experiências, a dar expressões artísticas ao que estamos vivendo, e a armazenar eventos significantes em nossas mentes.

Escrever pode ser bom também pra quem vai ler o que escrevemos. Muitas vezes um difícil, doloroso ou frustrante dia pode ser “redimido” ao se escrever sobre ele. Pela escrita podemos reclamar aquilo que vivemos e integrar isso mais plenamente em nossas jornadas. A escrita pode ser uma forma de salvar nossas próprias vidas e às vezes as dos outros também.

Escrever não é apenas uma anotação de idéias. Freqüentemente se diz: “Eu não sei o que escrever. Não tenho pensamentos que valham a pena ser anotados”. Porém, a boa escrita, em si, nasce do próprio processo de escrever.

Tal como simplesmente sentamos em frente a uma folha de papel e começamos a expressar em palavras o que está em nossas mentes ou em nossos corações, novas idéias emergem, idéias quem podem nos surpreender e nos levar a lugares interiores que mal sabíamos que estavam lá.

Um dos aspectos mais prazerosos da escrita é que ela abre poços profundos para tesouros escondidos que para nós são bonitos de ver, e às vezes para os outros também. Um dos argumentos freqüentemente usados para não escrever é esse: “Não tenho nada de original para dizer. O que quer que eu diga alguém já disse antes de mim, e bem melhor do que eu nunca poderia ter dito”. Esse, contudo, não é um bom argumento para não se escrever.

Cada pessoa humana é única e original, e ninguém viveu o que essa pessoa viveu. Além disso, o que temos vivido não é apenas para nós próprios, mas para outros também. A escrita pode ser uma maneira muito criativa e revigorante para tornar nossa vida disponível a nós mesmos e aos outros. Temos que confiar que as nossas histórias merecem ser contadas. Podemos descobrir que quão melhor escrevermos nossas histórias, melhor desejaremos vivê-las.

Texto de Henri J. M. Nouwen

traduzido de Daily Meditation (from Henri Nouwen Society)

Copiado do Pavarini, que copiou do Escrever é transgredir.