Posts tagged ‘Cristianismo ao pé da letra’

22/05/2011

A fotossíntese da fé e o estranho evangelho hidropônico gospel

por @tomfernandes

Todos nós que um dia passamos pelas séries iniciais da escola temos o ciclo da fotossíntese gravado como tatuagem em nossas lembranças de infância. Pois, mesmo assim, permita-me recordá-lo: fotossíntese é isto.

Resumindo [já que você não acessou o link da Wikipédia mesmo]: Seria a fotossíntese algo além de uma planta usar da luz solar e da água para transformar um gás poluente e perigoso como o gás carbônico em oxigênio essencial para a vida alheia e ainda alimentar a planta com sais minerais presentes no chão, na terra, no húmus? [Sim, o processo está muito simplificado, mas farei uma simples analogia, não um tratado ponto-a-ponto da coisa. Sigamos]

Ora, o que é a caminhada na vida cristã além de uma metáfora metafísica desse surpreendente processo vegetal?

Vejo na jornada da fé cristã [aquela uma proposta pelo Jesus Nazareno] um processo semelhante. Se não é a fé cristã usar de dúvidas, questionamentos, incertezas, terríveis vagos nas páginas do nosso manual da vida para, junto com a luz vinda do Filho do Homem, junto com a água que mata toda a sede, se não é a fé cristã usar tais dúvidas para gerar vida, e vida em abundância, o que mais seria?

Nisso, vejo um grave problema com a atual cultura, ou agricultura, evangélica. Se Jesus foi ao mundo, pisou em terra viva, tomou as dores nossas para si; ou seja, se Jesus nos faz a fotossíntese necessária para vivermos, como rejeitar esse processo? Ou pior, como propor um simulacro substitutivo?

Voltemos às analogias. Já ouviu falar em agricultura hidropônica, ou hidroponia? É um simulacro científico da agricultura em terra, é um experimento científico, controlado e metódico que pretende gerar vida em ambiente esterilizado, livre de germes, bactérias e outros micro-organismos da mesma monta. Pior, é agricultura sem chão, sem terra, sem minhocas e cheiro de mato. É uma coisa estéril, fria, repetitiva, com alfaces de folhas iguais, com tomates todos redondinhos, meigos e de coloração, com moranguinhos docinhos e limpinhos.

Já comeu um tomate hidropônico? Vá à papelaria mais próxima e morda uma farta placa de isopor. O gosto será o mesmo, acredite. A tal agricultura hidropônica cria vegetais de granja, numa metáfora fácil. É um simulacro, é uma reprodução fajuta de algo vivo, bom e agradável.

O que nos leva ao final da metáfora: estão fazendo o mesmo com a fé cristã nas igrejas evangélicas brasileiras. Em vez de uma fotossíntese completa, propõem um evangelho igualmente estéril, sem chão, sem terra, sem húmus; um evangelho limpinho e bonitinho, boas novas de reality show, com um monte de regras e um ser que tudo vê destemperado e louco para, ao menor deslize, nos eliminar da casa e nos mandar ao inferno dos desviados e rebeldes.

Os evangélicos morrem de medo de se contaminar de mundo, de chão, de terra. Querem ser sal diet, que não aumenta a pressão, mas também não salga, não conserva, não afasta a podridão; querem ser luz halogênica, que não de desgasta, não consome energia, mas, em compensação, não arde, não queima, não aquece, não incomoda.

Vivem os evangélicos hoje de máscaras [com todos os trocadilhos possíveis], vivem de luvas cirúrgicas e germicidas, álcool gel e antibióticos enquanto, de agricultores da vida, se tornam cientistas do cultivo suspenso, da cultura esterilizada, da agricultura hidropônica.

Ah, mas é o fim dos vermes, das larvas, das doenças e pragas na lavoura. É o fim do joio misturado ao trigo. Não, não é. Ou melhor, é. Mas, tirando as intempéries, os percalços, os ataques, tiram a força, a resistência, o crescimento vigoroso. Hoje, as igrejas evangélicas geram tomates bobões, babões e bundões. Geram abobrinhas, alfaces sem gosto, frutos sem sabor. Geram um simulacro e, pior, geram em pouca monta simulacros a custa de tempo, esforços e recursos suficientes para grandes lavouras naturais, para verdadeiros alimentos serem produzidos, vivos, sadios e saborosos.

Por fim, sinto pena de ver tanta gente cultivando feijões em algodão e crendo que são ceifeiros, mais pena sinto dos frágeis brotos estéreis, sem vida, sem chão, sem história, sem caminhada. São frutos em estufas, em bolhas de contenção, em redomas de vidro sem contato com nada e sem chance de crescer e se multiplicar. Esqueceram-se das palavras do Rabi: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo (Mateus 13.24).

[texto dedicado a Ricardo Gondim, cujos livros e textos com cheiro de terra e chuva me encheram de dúvidas, tiraram todas as minhas certezas e me levaram a uma fé cristã cristalina]

27/08/2009

A igreja das prostitutas

por @tomfernandes

De quem é a Igreja de Cristo? O texto abaixo, que li há alguns meses, nos dá parte da resposta. No final, deixo a indicação do blogue original.

 

As três horas da manhã de um sábado, meu amigo Tony se desperta com fome. Deixa as dependências do hotel que estava hospedado em busca de algum restaurante aberto para comprar comida. Cansado das conferências que vinha fazendo durante toda a semana no Hawai, Tony deixa de prestar atenção nas belezas do local e nas tristezas que o rodeiam.

Chegando ao um pequeno botequim, se depara com um grotesco e estúpido atendente e diz ao homem:

— Poderia me dar um café e um donuts?

Sem limpar as mãos, o dono do estabelecimento serve o café morno e o donuts imundo à mesa. Injuriado Tony os come do mesmo jeito.

Para não ser tão rude, o homem pergunta a Tony:

— O que você faz?

Tony responde:

— Sou sociólogo.

Encerrando o papo por ali, os interlocutores são surpreendidos pelas prostitutas que invadem o local, eram mais ou menos umas quinze mulheres, que entraram no recinto tirando sarro uma das outras. As prostitutas satirizavam Agnes (uma delas) por que havia dito que nunca tinha tido uma festa de aniversário, e que domingo estaria completando 22 anos. Uma delas dizia:

— Que você espera da gente, que lhe façamos uma festa com bolo e coca-cola?

Tony escutando a conversa, pergunta ao proprietário após as prostitutas deixarem o lugar:

— Elas aparecem sempre aqui?

Ele responde:

— Todas as noites às três da madrugada.

Após ter conversado com o dono da casa, Tony planeja uma festa surpresa para Agnes, a prostituta que iria fazer aniversário. Interessante que, após essa iniciativa, a grosseria do atendente se vai e até a esposa do mesmo aparece no cenário, se oferecendo para fazer o bolo.

Depois de tudo planejado, a taberna se encontrava enfeitada às três da madrugada para recepcionar Agnes e as prostitutas, quando inesperadamente todas entram na venda cantando em uma só voz:

— Parabéns pra você… nesta data querida….

Agnes estagnada não diz nada, assopra as velas e pergunta a Tony se poderia levar o bolo para sua mãe ver, ela morava a uma quadra de distância do local.

Tony responde:

— O bolo e a festa lhe pertencem, você faz o que quiser.

Enquanto ela deixa o boteco prometendo voltar, o silêncio e as indagações tomam conta do ambiente, e Tony diz:

— Bem, acredito que a melhor coisa a fazer é pedir para Deus que proteja Agnes, vamos dar as mãos e conversar com Ele, cada um faz do jeito que sabe.

Após alguns minutos, Agnes retorna e todos celebram seu aniversário com alegria. No meio da celebração, o dono do local pergunta a Tony:

— Vem cá, você disse que era sociólogo, por acaso é padre também?

Tony replica:

— Sim, sou pastor.

O grotesco homem indaga a resposta e pergunta:

— De qual Igreja?

Tony diz:

— Da Igreja que faz festas de aniversário para prostitutas às três da madrugada!

Encerrando a conversa o atendente e as prostitutas perguntam:

— Tem lugar para gente nessa Igreja?

 

 

Obs.: História relatada por Tony Campolo quando esteve na Comunidade Igreja Emergente.

 

Fonte: igrejaemergente.blogspot.com

 

16/04/2008

Fotos e vídeos de Isabela Nardoni morta?

por @tomfernandes

A mania agora é enviar spams oferecendo vídeos e fotos da menina Isabela Nardoni em links de youtube e congêneros. Até aí tudo bem, são spammers, ou seja, cabeças ocas, adolescentes [ou marmanjos mesmo] que, na falta de algo melhor pra fazer, saem infernizando a vida dos outros. São como adolescentes chatos em reunião de adultos.

Mas sabe o que mais irrita? O que mais causa nojo [ou deveria] em quem se diz cidadão civilizado? É perceber que são os próprios internautas, ditos cultos e civilizadíssimos, que varrem a web em busca de fotos e vídeos de acidentes trágicos. Lembro disso ocorrer há doze anos, quando o grupo Mamonas Assassinas sofreu o acidente aéreo e todos os membros morreram de forma trágica. Lembro disso no caso do avião da Gol que caiu há algum tempo. Lembro disso no caso do avião da Tam. Desse lembro bem porque um colega de trabalho na hora do almoço me chamou todo excitado para mostrar umas fotos ‘cabulosas’. Perdi o apetite e a disposição naquele dia.

Hoje pela manhã, liguei o rádio, programa local: discutiam o “Caso Nardoni”. Tomei banho e, enquanto esperava minha esposa se arrumar, liguei a TV no noticiário nacional: novas revelações do “Caso Nardoni”. Desço e, antes de entrar no carro, o porteiro me cumprimenta e faz um comentário: o “Caso Nardoni”. Um colega me chama no Google Talk: “Você acha que o pai é culpado?”. Até a Xuxa escreveu sobre o “Caso Nardoni” [muito mal e equivocadamente, diga-se de passagem]. Aqui em Goiás [no cerrado do mundo], há um atenuante, agita-se muito ainda o “Caso da Menina Torturada”. Então, há quase uma disputa velada em busca da “notoriedade do trágico”. E eu achando que a era dos “Ratinhos” havia acabado com a frustrada volta do Aqui e Agora.

“Tá, mas não se deve discutir?” Sim, discutir é uma coisa. Todavia, o que se faz em cima do “Caso Nardoni é semelhante ao que se vê em acidentes na rua, envolvendo carro e moto [motoqueiro nesta hora não é certo, nem errado, é doador de órgãos]. Em qualquer esquina onde haja um acidente desses ajunta-se uma multidão. Dois ou três correm em auxílio, ligam pro 190, 192 etc. O resto, tais como hienas, é atraído pelo cheiro de sangue. São como urubus, querem ver a podridão.

“Ah, assim eles esquecem da própria dor!” Essa talvez seja a melhor justificativa antropológica, sociológica, etológica [ou qualquer –lógica que queiram]. Todavia, não disfarça algo: o ser humano cada vez menos consegue “ser” e já não se porta como “humano”. Somos feras, diria o teólogo pós-reformista.

“Isso não é assunto de igreja!” Se não, de quem? A qual instituição cabe tal preocupação? Ao Estado somente? Jesus, vendo tal horripilante cena em volta desses casos, não baterá palmas. Não desligará o canal e voltará a ler “os trocentos jeitos de prosperar mais que seu irmão”. Jesus, diante dessa sociedade urubuzada, dirá: “Estou a ponto de vomitar-te!”. Se culparmos sempre o Estado, desculpando-nos de toda a morbidez que nos acomete, em que progredimos, em que nos fazemos seguidores de Jesus, em que somos dignos de nos chamar de cristãos? Ah, você não é cristão? Também não é capaz de ser humano? Tá explicado!

P.S.: Se você chegou até este texto procurando pelas tais fotos e vídeos, sugiro que repense sua vida.

Atualização 13/05/2008: Nova onda sensacionalista ataca a imprensa. O protagonista da vez é o jogador de futebol Ronaldo Nazário, o fenômeno, que se envolveu com travestis [segundo os travestir, também com drogas] e acabou na delegacia, prestando queixa de tentativa de extorsão. As fotos e vídeos do caso estão bombando entre os mais procurados no Google e no Youtube.

Atualização 26/05/2008: O caso foi reaberto. O médico legista Jorge Sanguinetti foi contratado pela família Nardoni. Isso já ganha ares de revanche do caso PC Farias, quando o legista alagoano enfrentou Badan Palhares, de São Paulo em uma disputa pela resolução do assassinato de PC Farias e Susana Marcolino. Mais algumas semanas de Luciana Gimenez e sua perspicácia sem igual na TV brasileira comentando a febre dos urubus.

06/04/2008

És gospel

por @tomfernandes

os tradutores da Bíblia bem que já podem atualizar uma das passagens mais duras do texto sagrado. Muita gente ia cair do cavalo. segue abaixo o novo sentido de ‘mornidão espiritual´.

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno GOSPEL e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. (Ap 3.15-17 — Versão atualizadíssima e indignada)

Depois ainda tem gente preocupada com barganha [ops, vitória] financeira.

26/02/2008

Falou e disse! [1]

por @tomfernandes

“Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir.”

frase atribuida a Martim Lutero. não sei se é dele, mesmo assim é o que eu quero pra minha vida.