Posts tagged ‘cristianismo’

05/04/2010

Pra que serve a apologética?

por @tomfernandes

Sou o famoso chato. Além de procrastinador [nome terrível], sou chato. Sei que a eterna arte de deixar tudo pra última hora só não entrou no hall da fama dos pecados capitais por culpa de alguém procrastinando. Mas não sei de quem é a culpa de minha chatice. Acostume-se, tentei mudar, mas sou chato. Fazer o quê?

Sou chato principalmente sobre as questões de fé. Não sou descolado. Não sou fundamentalista. Você tampouco me terá em cima do muro. Simplesmente porque tenho mais o que fazer do que tentar me equilibrar em cima de muros. Ou não. Mas não gosto de muros, não sou descolado nem fundamentalista. Ateu? Herege? Chato!

Creio em demônios, sim, mas não acredito neles. Nem nos da old school nem nos modernos e modernosos. Creio menos ainda nos seus exorcistas. Vá por mim, a cada dez rituais de exorcismo; em nove, nem Deus nem o capeta se fazem presentes. Mas o negócio funciona como serviço público, é preciso criar cabides de emprego pra tanta gente com medo de dar a cara a tapa por conta própria.

Creio em Deus, sim, e acredito nele. Acredito a ponto de não me preocupar com o que falam dele ou em nome dele. Acredito em Deus por motivações minhas, não por conta de algum interesse ou vantagens resultantes da coisa. Mas não me peça pra ficar uma hora na frente da TV, ouvindo pessoas definindo Deus. Depois o chato sou eu.

Creio que hoje é sempre o oitavo dia, o dia do recomeço. O oitavo dia é sempre meu. Não me importo em saber se Gênesis é literal ou literário, não quero saber de onde veio a semente que deu origem ao mais lendário pé de maçã da história. Importo-me apenas que o oitavo dia é o dia do homem bater perna e correr atrás do que lhe importa. Disso não tenho dúvida.

Quais são as minhas dúvidas? Poucas. Dúvidas de quem tem poucas certezas. De quem é chato porque acha tudo isso muito aborrecido. Acho os extravagantes enfadonhos. Detesto gente babando no chão e se contorcendo por excesso de Coca-cola com açúcar e dizendo que foi o toque de Deus. Aborreço-me facilmente com gente que fala demais sobre o mesmo assunto. Falta de assunto é sinal de qualquer coisa, menos de espiritualidade. Bocejo na cara de quem vem me contar o testemunho de prosperidade que ouviu falar de alguém ou que viu na TV. Tenho a impressão de quem vive o evangelho da prosperidade também se casou apenas pelas vantagens de ter sexo, casa arrumada e alguém obrigado a aturar suas canhestrices.

Até esta coisa de ser descolado me aborrece. De trocar o nome das coisas. De chamar igreja de ‘outra coisa’, de falar que é contra a religião, de chamar Coca-cola de chá-com-gás e continuar tomando quatro litros por dia, mas metendo o malho em quem toma sua coquinha feliz da vida. Toda vez que alguém me chama pra ir a um lugar que ‘não é igreja’, ouvir alguém que ‘não é pastor’ falar algo que ‘não é pregação’, além de contribuir com algo que ‘não é oferta’ e devolver algo que ‘não é dízimo’ pergunto se posso participar daquilo que ‘não é ceia’ tomando um líquido cevado e gelado, mas que ‘não é cerveja’.

Mas tem uma coisa que me transtorna, que me deixa mais chato ainda. Os apologistas. Meu Deus, de onde veio essa gente? Até hoje ninguém me tirou da cabeça que a apologética é uma coisa criada pela concorrência, só pode. Esta semana soltei no meu twitter [cerca de 600 seguidores, metade evangélica]: ‘Pra que serve a apologética?’. Resultado? Vinte unfollows em poucos minutos. Nenhuma resposta. Engraçado, os apologistas não respondem o que são, não gostam que se pergunte o que são e apelam com quem pergunta. Acho que, na verdade, não sabem o que são.

O Aurélio diz que ‘apologia é a arte de defender, justificar, promover’. O que vejo os apologistas evangélicos defendendo é qualquer coisa menos sua fé. Defendem suas crenças, seus usos e costumes [mesmo os apologistas que são contra os usos e costumes tradicionais], seus dogmas, suas visões de céu e inferno, seus projetos políticos e suas visões de mundo.

Sempre achei uma falta de ter o que fazer ficar explicando porque o cristianismo é uma religião melhor que a adoração ao santo abacateiro temporão. Tenho suspiros dignos do Charlie Brown ao ver extravagantes versus neopentecostais versus pentecostais versus reformados versus católicos versus ortodoxos versus todo-mundo. Se fé fosse sexo, apologia seria masturbação. Já viu alguém feliz em seu casamento defendendo o tempo todo as bases de sua escolha e as dez razões irrefutáveis porque se casou com a Aninha e não com a Joaninha?

Quer minha definição? Pois bem, apologética é a arte de falar sobre algo que você não tem a coragem de viver. Talvez seja só chatice minha. Eu sou mesmo um chato. Mas também sou um palhaço sem circo, do tipo que faz pra graça pra todo mundo, mas não pra qualquer um.

[Este foi meu primeiro e único texto para o blog dos 30 autores. O blog fechou. Talvez porque eu e outros autores não tenhamos honrado o compromisso dos textos mensais. Não sei. Não espero que goste deste texto, mas espero que comente as idéias e opiniões. Abraços.]

27/08/2009

regras e ritos

por @tomfernandes

“Viver mediante regras e ritos não é ser cristão; é ser religioso. O cristianismo não é uma religião que dependa de fórmulas para obter o favor divino, mas é antes um relacionamento dinâmico com Deus mediante Jesus Cristo.” (Disse Malcolm Smith)

16/08/2009

Nem bitolado nem descolado [parte 1]

por @tomfernandes

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É interessante ver o que acontece hoje entre muitos cristãos. Quero escreve um pouco sobre isso. Mas, antes de falar do interessante, deixe-me apresentar o fato triste.

É triste que cristãos, evangélicos e católicos, homens e mulheres que creem no Evangelho como dom de Deus para todos os homens, pessoas que veem na radical mudança existencial a mais profunda obra divina, pessoas que caminham, que buscam a verdade, que vivem suas vidas em torno das palavras daquele que disse de si mesmo: ‘Eu sou o caminho, a verdade, e a vida’; é triste, é angustiante que esses cristãos sejam confundidos com os falsários da fé, com os estelionatários da alma alheia, com os parasitas existenciais travestidos de oráculos, quando na verdade são vampiros, são sanguessugas, são almas preguiçosas que ‘nem entram nem deixam que outros entrem’ no espírito do verdadeiro Evangelho.

A tristeza de muitos é não poderem se alegrar por serem malditos e insultados, uma vez que seus acusadores não mentem nem levantam calúnias, apenas trazem a público toda a crueza e podridão de caráter patrocinada por esses novos fariseus, vendilhões dos novos templos e santuários. Não há como defender – sem desistir da ética, do caráter, da verdade – tais usurpadores da fé, do nome e do testemunho de milhões de cristãos fiéis e devotos.

Também não há como dizer aos milhares de desigrejados, pessoas que um dia viveram entre iguais, entre irmãos amados e queridos, entre pessoas que amavam por amar, mas que hoje sofrem e doem-se de suas dores distantes e enojados das instituições cristãs, sejam evangélicas ou católicas; não há como dizer a estes que preferem viver fora das comunidades cristãs que eles estejam de todo errado. Não dá pra acusá-los de apostasia ou desvirtuamento quando apóstatas e desviados do Evangelho crescem em púlpitos e telinhas, movidos por ganância e soberba.

[continua...]

26/04/2009

um pensamento de páscoa

por @tomfernandes

“Se a ética cristã fosse posta em prática, resolveríamos problemas de convivência que a cada dia se complica mais, pois leva à solidão e à agressividade. Infelizmente o que vemos em certos círculos religiosos é um cristianismo puramente de fachada.”

Érico Veríssimo [Frase da Semana do Pavablog, que viu no blog do Laion Monteiro]

10/02/2009

Uma variação “sombria” do Cristianismo

por @tomfernandes

por Thiago Bomfim

Eu sempre desconfio daquelas figuras que estão a rir o tempo todo e que são os palhaços da turma. O perfil desse estilo de pessoa, podem acreditar, resultam em dois tipos: no louco ou no mentiroso.

E eu digo isso não só por um achismo, mas é porque eu já fui assim. Era o “animador” do louvor. O pessoal sentia falta mim quando eu não estava… sério! Mas essa fase, ainda bem, passou.

Quando experimentava essa personalidade eu só o fazia por três motivos:

* Para provar que cristão era feliz o tempo todo

* Para criar uma imagem de uma pessoa que não tinha problemas

* Para que os outros prestassem atenção em mim

Mas todas essas coisas aí não são importantes, nem verdadeiras. Tudo que é verdade nunca é extremado. Funciona assim: ninguém pode estar o tempo todo rindo e nem o tempo todo chorando pelos cantos. O exagero nessas duas atitudes revela um talento teatral da pessoa que assim procede.

Criou-se um rótulo para aquele tipo de gente que não aparece muito, que sempre está na dela, que não incomoda ninguém, que vive contemplando o voo de uma barata nojenta como uma manifestação divina e que as vezes está no mundo da lua: o sombrio. Me apropriando desse título, posso afirmar que hoje vivo uma variação sombria de fé.

Minhas concepções sobre o “ide” mudaram bastante e a cada dia novas evidências me convencem mais sobre o equívoco de algumas consagradas obrigações. O demonstrar de minha fé parece bem mais racional do que os dentes falsamente à mostra o tempo todo. E o serviço de publicidade em favor de um pacote de idéias foi descontinuado em prol de uma causa muito maior: a causa de um rei e do seu reino.

Alguém pode me repreender nesse estilo de cristianismo, mas é fácil imaginar um Jesus absorto em pensar nas coisas eternas, impossível é conceber um messias Casas Bahia fazendo propaganda de um reino feliz, com esquilos dançantes e borboletas coloridas.

E isso não se trata de humor: o sarcasmo, a piada e o riso ainda permanecem aqui. Só digo que eles não são estratégia para venda de vidas felizes para ninguém.