Posts tagged ‘indignada’

27/05/2008

Julgamento gramatical dos Nardoni

por @tomfernandes

httpv://www.youtube.com/watch?v=jPvjk8zlcrk

Se são culpados ou inocentes, eu não sei. Mas que assassinaram a língua, ah, disso eu tenho certeza. Veja a perícia do discurso do casal.

27/04/2008

Língua Portuguesa é bem precioso, portugueses devem tratá-la melhor – Saramago

por @tomfernandes

Lisboa, 23 Abr (Lusa) – O escritor José Saramago defendeu hoje que a Língua Portuguesa é actualmente mal escrita e mal falada, sublinhando que ela é um “bem precioso” e que os portugueses devem tratá-la melhor.

“O Português é hoje mal falado, é atropelado mortalmente todos os dias mas, como tem muita energia, sacode-se e põe-se de pé e continua”, disse Saramago, frisando que “a língua é a mais preciosa das ferramentas”.

O Prémio Nobel português da Literatura, de 85 anos, falava na inauguração de uma exposição sobre a sua vida e obra, intitulada “José Saramago – A Consistência dos Sonhos”, na Galeria D. Luís I, do Palácio da Ajuda, em Lisboa, na presença do primeiro-ministro e de vários ministros, além dos da Cultura português e espanhol.

“Já se riram de mim por eu ter dito que, com esta minha vida (…) eu descobri que a Língua Portuguesa é a mais formosa do mundo”, comentou, acrescentando que nem sequer foi o primeiro, “Camões já o disse”.

Depois de referir nomes como os do Padre António Vieira, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro “e toda essa gente que andou a escrever”, Saramago ressalvou que não sabemos, contudo, como falavam, porque viveram num tempo em que não havia registos sonoros.

“Nós, os que estamos aqui neste tempo, no que chamamos mundo de Língua Portuguesa, temos obrigação de escrevê-la bem, cada vez melhor, mas há outra obrigação que temos: falá-la bem”, sustentou.

Afirmando não se tratar de “um apelo para salvar a Língua Portuguesa”, José Saramago instou a que se tome “consciência de que se há um bem precioso que, ainda por cima, não é de ninguém em particular, é obra de todos, é a Língua Portuguesa”.

“Temos a obrigação de fazer melhor em defesa dela (…) Somos responsáveis pelo destino da Língua Portuguesa”, sublinhou.

“José Saramago – A Consistência dos Sonhos”, que abre ao público quinta-feira e estará no Palácio da Ajuda até 27 de Julho, reúne mais de 1.200 documentos, fotografias, vídeos, recortes de jornais, objectos pessoais do escritor, cartazes e livros.

Pela presença em Portugal da exposição, que esteve primeiro patente em Lanzarote, Espanha, onde o escritor reside, Saramago disse “obrigado a toda a gente”, frisando ter sido uma ideia de Fernando Gómez Aguilera, director cultural da Fundação César Manrique, que contou, desde a primeira hora, com o entusiasmo da sua mulher, Pilar del Rio.

“Quero dizer simplesmente obrigadinho, que é um diminutivo que os espanhóis não entendem mas é qualquer coisa que sai mais do coração: Obrigadinho”, disse.

ANC.

© 2008 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-23 22:39:31

16/04/2008

Fotos e vídeos de Isabela Nardoni morta?

por @tomfernandes

A mania agora é enviar spams oferecendo vídeos e fotos da menina Isabela Nardoni em links de youtube e congêneros. Até aí tudo bem, são spammers, ou seja, cabeças ocas, adolescentes [ou marmanjos mesmo] que, na falta de algo melhor pra fazer, saem infernizando a vida dos outros. São como adolescentes chatos em reunião de adultos.

Mas sabe o que mais irrita? O que mais causa nojo [ou deveria] em quem se diz cidadão civilizado? É perceber que são os próprios internautas, ditos cultos e civilizadíssimos, que varrem a web em busca de fotos e vídeos de acidentes trágicos. Lembro disso ocorrer há doze anos, quando o grupo Mamonas Assassinas sofreu o acidente aéreo e todos os membros morreram de forma trágica. Lembro disso no caso do avião da Gol que caiu há algum tempo. Lembro disso no caso do avião da Tam. Desse lembro bem porque um colega de trabalho na hora do almoço me chamou todo excitado para mostrar umas fotos ‘cabulosas’. Perdi o apetite e a disposição naquele dia.

Hoje pela manhã, liguei o rádio, programa local: discutiam o “Caso Nardoni”. Tomei banho e, enquanto esperava minha esposa se arrumar, liguei a TV no noticiário nacional: novas revelações do “Caso Nardoni”. Desço e, antes de entrar no carro, o porteiro me cumprimenta e faz um comentário: o “Caso Nardoni”. Um colega me chama no Google Talk: “Você acha que o pai é culpado?”. Até a Xuxa escreveu sobre o “Caso Nardoni” [muito mal e equivocadamente, diga-se de passagem]. Aqui em Goiás [no cerrado do mundo], há um atenuante, agita-se muito ainda o “Caso da Menina Torturada”. Então, há quase uma disputa velada em busca da “notoriedade do trágico”. E eu achando que a era dos “Ratinhos” havia acabado com a frustrada volta do Aqui e Agora.

“Tá, mas não se deve discutir?” Sim, discutir é uma coisa. Todavia, o que se faz em cima do “Caso Nardoni é semelhante ao que se vê em acidentes na rua, envolvendo carro e moto [motoqueiro nesta hora não é certo, nem errado, é doador de órgãos]. Em qualquer esquina onde haja um acidente desses ajunta-se uma multidão. Dois ou três correm em auxílio, ligam pro 190, 192 etc. O resto, tais como hienas, é atraído pelo cheiro de sangue. São como urubus, querem ver a podridão.

“Ah, assim eles esquecem da própria dor!” Essa talvez seja a melhor justificativa antropológica, sociológica, etológica [ou qualquer –lógica que queiram]. Todavia, não disfarça algo: o ser humano cada vez menos consegue “ser” e já não se porta como “humano”. Somos feras, diria o teólogo pós-reformista.

“Isso não é assunto de igreja!” Se não, de quem? A qual instituição cabe tal preocupação? Ao Estado somente? Jesus, vendo tal horripilante cena em volta desses casos, não baterá palmas. Não desligará o canal e voltará a ler “os trocentos jeitos de prosperar mais que seu irmão”. Jesus, diante dessa sociedade urubuzada, dirá: “Estou a ponto de vomitar-te!”. Se culparmos sempre o Estado, desculpando-nos de toda a morbidez que nos acomete, em que progredimos, em que nos fazemos seguidores de Jesus, em que somos dignos de nos chamar de cristãos? Ah, você não é cristão? Também não é capaz de ser humano? Tá explicado!

P.S.: Se você chegou até este texto procurando pelas tais fotos e vídeos, sugiro que repense sua vida.

Atualização 13/05/2008: Nova onda sensacionalista ataca a imprensa. O protagonista da vez é o jogador de futebol Ronaldo Nazário, o fenômeno, que se envolveu com travestis [segundo os travestir, também com drogas] e acabou na delegacia, prestando queixa de tentativa de extorsão. As fotos e vídeos do caso estão bombando entre os mais procurados no Google e no Youtube.

Atualização 26/05/2008: O caso foi reaberto. O médico legista Jorge Sanguinetti foi contratado pela família Nardoni. Isso já ganha ares de revanche do caso PC Farias, quando o legista alagoano enfrentou Badan Palhares, de São Paulo em uma disputa pela resolução do assassinato de PC Farias e Susana Marcolino. Mais algumas semanas de Luciana Gimenez e sua perspicácia sem igual na TV brasileira comentando a febre dos urubus.

06/04/2008

És gospel

por @tomfernandes

os tradutores da Bíblia bem que já podem atualizar uma das passagens mais duras do texto sagrado. Muita gente ia cair do cavalo. segue abaixo o novo sentido de ‘mornidão espiritual´.

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno GOSPEL e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. (Ap 3.15-17 — Versão atualizadíssima e indignada)

Depois ainda tem gente preocupada com barganha [ops, vitória] financeira.

31/01/2008

O que fizemos com o Natal e o que vamos fazer com o Ano-Novo

por @tomfernandes

um texto realmente interessante sobre o natal passado.

Passados os festejos de natal e de ano-novo, é bom fazer um pequeno inventário sobre a qualidade e seriedade dessas comemorações.

Para o comércio foi um sucesso enorme. Em grande parte por causa da decoração de natal. Só os 622 centros comercias brasileiros investiram 350 milhões de reais nesse setor.

A ausência cada vez maior do verdadeiro sentido do natal assustou até pessoas cultas sem nenhum compromisso com o cristianismo. Em sua coluna no Jornal do Brasil, o escritor Fausto Wolf disse que sempre quis acreditar na concepção sobrenatural de Jesus Cristo, na remissão dos pecados através de sua morte, na ressurreição da carne e na vida eterna. Porém, se limita apenas a gostar de Jesus porque este era pobre, ofendido e maltratado assim como nós somos. Ele se queixa dos ricos que, desde Adriano, “encheram Jesus de jóias, perfumaram-no, trancaram-no num palácio longe do povo para melhor poderem explorar esse mesmo povo”. Wolf cita o pronunciamento de alguém que faz sérias acusações: “É no período natalício que os veículos de comunicação em geral e a televisão em particular mais torturam este país. Uma aluvião de bestas do apocalipse cai de uma só vez sobre a pobreza ignorante e a classe média abobalhada: ‘Compre, compre’. Sei da força do Verbo, mas odeio o natal. Creio que só um homem o odiaria mais que eu: [o próprio] Jesus Cristo”.

O filósofo Leandro Konder também protestou: “Como descrente que sou — marxista convicto irrecuperável — quero apenas registrar minha expectativa de que o festival consumista em torno de Santa Claus não atrapalhe a celebração do aniversário do Justo”. Até o empresário Antônio Ermínio de Moraes, um dos homens mais ricos do país, desejou, dois dias antes do natal em sua coluna na Folha de São Paulo, que os brasileiros tivessem um “santo natal junto às suas famílias” e que reservassem algum tempo para pedir a Deus que “fortaleça entre nós o amor e o respeito pelo próximo”, porque “a felicidade dos seres humanos não se resume ao êxito econômico”.

É possível que um dia, quando nossos olhos forem verdadeiramente abertos, nós enxerguemos a grandeza do natal na perspectiva dos Evangelhos sinóticos e no Evangelho de João, onde se lê que “no princípio [o mais remoto] era o Verbo [Deus, o Filho], e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (…) e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio da graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.1,14). E, então, a profanação do natal seja confessada com muita tristeza, muitas lágrimas e muito arrependimento.

Ainda há tempo para acertarmos o passo na caminhada iniciada a menos de um mês, quando a entrada do novo ano nos aproximou um pouco mais do fim da história. Que Deus seja propício a cada um de nós!

Elben M. Lenz César é diretor e redator da Revista Ultimato.