Posts tagged ‘língua portuguesa’

12/05/2008

Pérolas legislativas [por Dad Squarisi]

por @tomfernandes

Pérola legislativa

“O que é bom”, diz o povo sabido, “anda devagar. O que é ruim se espalha rapidinho.” Vale o exemplo de Brasília. A Lei Distrital 3.112, de 2003, obrigou os elevadores a ostentar uma placa. Nela, os dizeres impostos pelos deputados: “Aviso aos usuários: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar”.

O texto provoca arrepios. Tem erros pra todos os gostos. Os candangos protestaram. Não queriam ver a aberração todos os dias à frente dos olhos. Não adiantou. Pior: o deputado Raimundo Santos, do Pará, copiou a idéia e a frase. Apresentou o projeto de lei que exige a fixação da tal advertência Brasil afora.

O projeto foi aprovado. Alguns síndicos bancaram os carneirinhos. Obedeceram. Outros protestaram. Sabiam que o patoá deseduca moradores e visitantes. Comissão encaminhou abaixo-assinado ao Congresso. Nele, explicou a deputados e senadores que a frase tem três erros. Dois de gramática. Um de lógica. E, como desgraça pouca é bobagem, não faltou falha de estilo. Vamos a eles.

Um – Mesmo não tem função anafórica. Está proibido, pois, de substituir termo referido antes (elevador). Em lugar dele, o pronome ele pede passagem: Antes de entrar no elevador, verifique se ele encontra-se neste andar.

Dois – Se é conjunção subordinativa. Funciona como ímã. O pronome não resiste. Vai para antes do verbo: Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra neste andar.

Três – Se o elevador não estiver no piso, como entrar nele? O vocábulo elevador sobra: Antes de entrar, verifique se o elevador se encontra neste andar.

Quatro – As palavras curtas são preferíveis às longas. Por duas razões. Uma: economizam espaço. A outra: lêem-se com mais rapidez. Levado a sério o princípio estilístico, temos: Antes de entrar, verifique se o elevador está neste andar.

Resumo da ópera – “O imperador não está acima da gramática”, disse Júlio César. “Nem os deputados”, dizemos nós.

Por falar em mesmo…

Olho na norma culta. A poderosa rejeita o uso de o mesmo, a mesma, os mesmos, as mesmas para substituir pronome ou substantivo. Mande, pois, pras cucuias construções como estas:

A banca examinadora vai decidir como fará as revisões e como os peritos vão participar das mesmas.

Viu? Mesmas está em lugar de revisões. Mas o dissílabo não pode ocupar o lugar do nome. Melhor buscar saída:

A banca examinadora vai decidir como fará as revisões e como os peritos vão participar do processo.

Os jurados prometem divulgar os resultados hoje. As candidatas, claro, estão loucas para conhecer a escolha dos mesmos.

Cruz-credo! Dos mesmos usurpa o lugar de dos juízes. Nada feito. Melhor: Os jurados prometem divulgar os resultados hoje. As candidatas, claro, estão loucas pra conhecer a preferência deles.

27/04/2008

Língua Portuguesa é bem precioso, portugueses devem tratá-la melhor – Saramago

por @tomfernandes

Lisboa, 23 Abr (Lusa) – O escritor José Saramago defendeu hoje que a Língua Portuguesa é actualmente mal escrita e mal falada, sublinhando que ela é um “bem precioso” e que os portugueses devem tratá-la melhor.

“O Português é hoje mal falado, é atropelado mortalmente todos os dias mas, como tem muita energia, sacode-se e põe-se de pé e continua”, disse Saramago, frisando que “a língua é a mais preciosa das ferramentas”.

O Prémio Nobel português da Literatura, de 85 anos, falava na inauguração de uma exposição sobre a sua vida e obra, intitulada “José Saramago – A Consistência dos Sonhos”, na Galeria D. Luís I, do Palácio da Ajuda, em Lisboa, na presença do primeiro-ministro e de vários ministros, além dos da Cultura português e espanhol.

“Já se riram de mim por eu ter dito que, com esta minha vida (…) eu descobri que a Língua Portuguesa é a mais formosa do mundo”, comentou, acrescentando que nem sequer foi o primeiro, “Camões já o disse”.

Depois de referir nomes como os do Padre António Vieira, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro “e toda essa gente que andou a escrever”, Saramago ressalvou que não sabemos, contudo, como falavam, porque viveram num tempo em que não havia registos sonoros.

“Nós, os que estamos aqui neste tempo, no que chamamos mundo de Língua Portuguesa, temos obrigação de escrevê-la bem, cada vez melhor, mas há outra obrigação que temos: falá-la bem”, sustentou.

Afirmando não se tratar de “um apelo para salvar a Língua Portuguesa”, José Saramago instou a que se tome “consciência de que se há um bem precioso que, ainda por cima, não é de ninguém em particular, é obra de todos, é a Língua Portuguesa”.

“Temos a obrigação de fazer melhor em defesa dela (…) Somos responsáveis pelo destino da Língua Portuguesa”, sublinhou.

“José Saramago – A Consistência dos Sonhos”, que abre ao público quinta-feira e estará no Palácio da Ajuda até 27 de Julho, reúne mais de 1.200 documentos, fotografias, vídeos, recortes de jornais, objectos pessoais do escritor, cartazes e livros.

Pela presença em Portugal da exposição, que esteve primeiro patente em Lanzarote, Espanha, onde o escritor reside, Saramago disse “obrigado a toda a gente”, frisando ter sido uma ideia de Fernando Gómez Aguilera, director cultural da Fundação César Manrique, que contou, desde a primeira hora, com o entusiasmo da sua mulher, Pilar del Rio.

“Quero dizer simplesmente obrigadinho, que é um diminutivo que os espanhóis não entendem mas é qualquer coisa que sai mais do coração: Obrigadinho”, disse.

ANC.

© 2008 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-23 22:39:31

17/04/2008

na ponta da língua [01]

por @tomfernandes

começa hoje também uma seção sobre língua portuguesa. de início voltada para a prática da redação, edição e revisão de textos, aos poucos trabalharemos outros aspectos do idioma. ok? vamos lá. começo publicando um interessante estudo do professor Sérgio Nogueira sobre falsos sinônimos. no final, deixo o link.

Falsos sinônimos (parte 1)

Vejamos, a seguir, uma série de palavras que devemos usar no seu real significado:

ACATAR – Significa “obedecer”: “Ele acatou as ordens do juiz”. Não é sinônimo de acolher: “O juiz da décima Vara Federal de Brasília, Marcus Vinícius Reis Bastos, acolheu (e não acatou) a denúncia do Ministério Público Federal contra os três”.

ADMITIR – Significa “reconhecer”. Apresenta carga negativa. É incoerente admitir uma “coisa positiva”: “Ele admitiu que está fazendo o maior sucesso” (= só seria possível se ele tivesse negado anteriormente). Em vez de “ele admitiu que errou”, é melhor “ele reconheceu o seu erro”; em vez de “ele admitiu que matou nove crianças”, é melhor “ele confessou que matou nove crianças”. Pode, também, provocar ambigüidade: “Igreja admite estupro de freiras por religiosos” (reconhece que houve ou permite que haja?). Por tudo isso, é bom tomar muito cuidado com o uso do verbo admitir.

ALTO – O preço é alto, mas o produto é caro: “O preço dos automóveis está muito alto”; “Este automóvel está muito caro”.

AO CONTRÁRIO DE – Só se forem “coisas opostas”. Se não forem “coisas opostas”, devemos dizer diferentemente: “Diferentemente do que publicamos ontem, Romário já fez 250 gols com a camisa do Vasco, e não 249.” Exemplo inaceitável: “Ao contrário do que foi dito, ele venceu oito e não sete corridas (= não são “coisas” opostas).

AO ENCONTRO DE – Significa “a favor”: “Ficamos felizes, porque as suas idéias vêm ao encontro das nossas necessidades”; “Qualidade é ir ao encontro das expectativas do cliente”.

AO INVÉS DE – Significa “ao contrário de”. Só pode ser usado se houver troca “por coisa oposta”: “Ele entrou à direita ao invés de entrar à esquerda”; “Subiu ao invés de descer”. Em caso de dúvida (= se a coisa é oposta ou não), use em vez de.

APARIÇÃO – Use somente em situações específicas (= algo repentino e surpreendente): “aparição de fantasmas, de discos voadores…” Em geral, use aparecimento: “Ficamos esperando pelo aparecimento da testemunha”.

ARBITRAGEM – É o “ato de arbitrar”. É bom não usar em lugar de árbitro: “A arbitragem não deu o pênalti.” Devemos dizer que “o árbitro não deu o pênalti”.

ARRUINADO – Significa “empobrecido, quem perdeu tudo”: “O rico empresário ficou arruinado”. Não devemos usar no sentido de “ficar em ruínas”: “O aeroporto ficou totalmente destruído (e não arruinado)”.

BAIXO/ BARATO – O preço é baixo, mas o produto é barato: “O preço dos automóveis está muito baixo”; “Este automóvel está muito barato”.

BASTANTE – É “o que basta”. Significa “suficiente”: “Ele já tem provas bastantes ( = suficientes) para incriminá-la”. É bom evitar o uso da palavra bastante como advérbio de intensidade (= muito, suficientemente): “A moradora ficou muito (e não bastante) preocupada”. Pode provocar ambigüidade: “Ele comeu bastante” (muito ou suficiente?).

BIMENSAL/BIMESTRAL – Bimensal é “duas vezes por mês”; bimestral é “de dois em dois meses”.

CARIOCA – Refere-se à cidade do Rio de Janeiro. Portanto, o governador do Estado do Rio de Janeiro é fluminense, e não carioca. “A Federação confirmou que os dois jogos deste fim de semana pelo campeonato do Estado do Rio de Janeiro serão no Maracanã.” Devido ao uso consagrado, no caso do futebol, podemos usar “campeonato carioca”: “Flamengo é o atual campeão carioca”.

CHANCE – Use apenas no sentido positivo: “O Palmeiras tem a chance de ser campeão neste fim de semana.” Evite usar no sentido negativo: “Isso aumenta a chance de enfarte”; “A chance de ele ser condenado são enormes”. Nesses casos, prefira “risco, possibilidade ou probabilidade”.

Escrito por Sérgio Nogueira

09/11/2006

"O português é muito difícil!"

por @tomfernandes

Não faço a mínima idéia de quem tenha escrito. Recebi este texto de umas três fontes diferentes. O que sei é que ele é muito bom. Veja onde nós chegaremos…

Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica.

Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.

No primeiro ano, o “Ç” vai substituir o “S” e o “C” sibilantes, e o “Z” e o “S” suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O “C” duro e o “QU” em que o “U” não é pronunçiado çerão trokados pelo “K”, já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.