Posts tagged ‘livro’

04/12/2011

O dia em que Deus não me jogou um raio na cabeça

por @tomfernandes

Estórias de um amor antiquado

por Tom Fernandes

Capítulo 2

O dia em que Deus não me jogou um raio na cabeça

(Leia +: Capítulo 1 – Muitas guerras e a primeira grande perda)

Se aquele tivesse sido o último dia da minha vida, por mais que tudo o que eu vivi depois tenha sido plenamente satisfatório e por mais que eu nunca mais tenha sentido graves medo ou aflições na alma; se aquele tivesse sido o último dia da minha vida, eu não morreria infeliz.

.

Um homem se forma e se conforma pelas pessoas que ama, pelas ideias que aceita, pelos medos que o afligem e pelas posições que defende; necessariamente nessa ordem. E logo cedo aprendi que amar envolve alguma dose de coragem e muita abnegação. Não sei se foi perder minha mãe tão cedo que me fez entender isso, ou se foi ver a Marta ir embora dois anos mais tarde, casada com um amigo do papai, ou se foi me despedir da Kátia anos mais tarde no aeroporto, quando ela foi estudar na Europa; o que sei ao certo é que o único medo que nunca tive foi o de perder meu pai.

.

Sim, eu era o menino mais sortudo de todo o mundo. Embora meu pai não fosse rico e nossa casa nunca tivesse coisas para fazer inveja aos colegas de escola, eu sabia que ele estaria ao meu lado. Na volta às aulas, eu não tinha histórias de viagens mirabolantes pra contar, nem presentes importados para mostrar, minha disposição em inventar coisas fantásticas se satisfazia em me imaginar voando agarrado a cisnes, como o pequeno príncipe, ou em namorar a menina do programa de desenhos da TV, mas não em fazer nascer melhores férias que meus colegas ricos, nem em fazer do meu pai alguém muito importante para o governador ou para o bispo da igreja.

.

Minha mãe se foi bem uma semana antes de acabar as aulas. Eu já havia passado, a Kátia precisava aprender a solucionar equações se não quisesse ficar na casa da tia Clau enquanto a gente ia pra fazenda do chefe da minha mãe. Minha irmã estava estudando bastante, ela sempre gostou de fazenda, dizia que meu pai ia comprar uma fazenda pra gente ser feliz cuidando de vaca e plantando arroz. Nunca gostei dessa ideia de felicidade, mas Kátia era grande demais pra ser contrariada por um fedelho como eu.

.

Na sexta-feira, a Kátia chegou com a nota, o professor escreveu até que a Kátia era um assombro. Eu que fiquei assombrado de isso ser um elogio. Minha mãe a sentou no colo e disse que estava orgulhosa da filha que Deus a tinha dado. Em meio a lágrimas, ela orou agradecendo pela família, pelo papai, por mim e especialmente pela Kátia. Kátia era filha da bondade de Deus, dizia mamãe. Demorei tanto a entender isso. Tempos depois, papai me contou que, quando eles se casaram, mamãe foi ao médico e voltou com um papel dizendo que ela não podia ser mãe. Ai eles foram pra casa, e papai se sentou com ela na cama, dizendo que papel nenhum de médico ia proibir minha mãe de ter o que Deus tinha prometido a ela. Agora, mamãe estava orando pela filha que lhe dera tanta alegria. No outro dia, mamãe não acordou.

.
Depois do enterro, não viajamos. Meu pai tirou licença do serviço e ficou em casa com a gente. Nossa casa estava cheia de gente o tempo todo e eu não gostava daquilo, não sei bem o porquê, mas eu não gostava daquilo. Tinha tanta gente na minha casa e eu me sentia tão sozinho.

.

E, naquele dia em que a solidão me acompanhou o tempo inteiro, depois de ter feito vigília sentado na minha cama, eu fui pro quintal sentir saudades em paz. Eu era muito pequeno pra saber compartilhar tanta dor com as pessoas e ninguém me deixava chorar: eu tinha que ser forte, tinha que dar o exemplo, não podia preocupar o papai, não podia ficar triste; era tanta coisa que eu nem podia sentir a dor que me doía por dentro. Então fui pro quintal, subi na casa da árvore e lá fiquei sozinho, só eu e a dor que eu precisava sentir, a saudade que eu precisava conhecer, pois ela me faria companhia por toda a vida. Uma tia velha do meu pai disse que chorar era besteira, que a vida era assim mesmo, que ficar de luto era até pecado. Eu nem sabia o que ela estava dizendo, não queria ficar lutando com ninguém, só queria ficar sozinho.

.
Aproveitei que a Tia Clau levou a Kátia pra passear no shopping – ela precisava se distrair, disse a tia –, para me esconder na casa da árvore. Lá fiquei toda a noite e pude então chorar toda a dor que meu pequeno coração precisava pôr para fora. Sem ninguém para me recriminar, pude sentir saudades, raiva, ódio, medo, ingratidão e todos os sentimentos que ocorrem a uma criança que se vê roubada como eu fui. Disse para Deus o quanto eu o odiava, o quanto eu achava que ele era mau, que ele havia mentido pro meu pai e pra todo mundo lá de casa e que, se ele fosse bom, ele traria minha mãe de volta, que todo mundo estava sofrendo por causa dele, que ele não era poderoso coisa nenhuma. Enfim, disse a Deus tudo o que eu quis, e permaneci vivo. Deus não me lançou um raio, não me rachou a cabeça como a Kátia me ameaçava que ia acontecer. Sei que adormeci aliviado, havia afinal chorado, sofrido e reclamado como eu precisava fazer.

.
Depois disso, chorei muitas outras vezes, mas já era um choro aliviado, conformado com a ideia de que Deus não era vingativo; se fosse, minha cabeça teria virado um monte de cinzas. Assim, dormi na casa da árvore.
Acordei na manhã seguinte e logo me veio o medo da bronca que eu ia levar. Meu pai me daria um coça, isso era certo. Errado. Certo e quente era o cobertor sobre mim, colocado por meu pai, que, sem se importar com nada, deitou ao meu lado e lá dormiu comigo.

22/12/2008

A fé que quero.

por @tomfernandes

“Não quero a fé que espera Deus trabalhar por mim. Quero a fé que me faz trabalhar para Deus. Não quero a fé que me faça prosperar entre meus irmãos. Quero a fé que me faça cooperar e servir para que meus irmãos prosperem. No fundo, acho que sou movido por ambições maiores: não quero ser apenas fiel, quero ser herói da fé. Não me basta ser o tipo de homem que é digno no mundo. O que quero mesmo é ser o tipo de homem do qual o mundo não é digno.”

Extraído do livro “Outra Espiritualidade” – Ed. R. Kivitz – Mundo Cristão.

18/12/2008

'Como falar com garotas', livro escrito por um menino de 9 anos, vai virar filme.

por @tomfernandes

‘How to Talk to Girls’, livro de Alex Greven, 9 anos, com dicas sobre como lidar com garotas, será transformado em filme. Segundo noticia do Hollywood Reporter, a Fox comprou os direitos. Roteiristas e produtores ainda não estão definidos.

fonte: BlueBus

17/12/2008

A saga corintiana — o livro

por @tomfernandes

[singlepic=5,320,240,,]

Por MAURÍCIO STYCER

Entre os vários “livros de oportunidade”, lançados na esteira da volta do Corinthians à Série A do Brasileiro, “A saga corintiana”, de Luis Augusto Simon (Publisher, 136 págs., R$ 27), a ser lançado nesta quarta-feira, no Bar Boleiros, em São Paulo, chama a atenção por focar não apenas os conhecidos heróis, mas uma série de personagens secundários ou anônimos da epopéia.

Menon, como é conhecido, é desses jornalistas esportivos capazes de encontrar histórias interessantes para contar não apenas entre os vencedores, mas também em personagens menos óbvios ao redor do universo que cerca a competição. Em duas oportunidades que editei matérias suas, no “Lance!” e na “CartaCapital”, tive o prazer de ler reportagens diferentes, pouco óbvias, sobre figuras esquecidas, derrotadas ouà margem do glamour que cerca o esporte no mundo de hoje.

O seu relato, jogo a jogo, da passagem do Corinthians pela Série B, em 2008, não poderia ser diferente.

A primeira figura a aparecer no livro é Monga, “um enorme gavião de aproximadamente 1,90 m e 180 quilos”, que colocou o dedo na cara do presidente corintiano, Andrés Sanches, no dia seguinte à queda para a segunda divisão, e disse: “Não adianta ficar culpando a antiga diretoria porque você fazia parte dela também”.

Sanches, conta Menon, só não atendeu um pedido dos torcedores (que queriam a cabeça de Antonio Carlos, nomeado diretor de futebol), mas dispensou todos os jogadores que a Fiel exigiu ver longe do Corinthians após o fracasso em 2007 (Gustavo Nery, Vampeta, Iran, Betão, Zelão e Fábio Brás, entre outros).

A contratação de Mano Menezes – dois dias depois de o técnico ter dirigido o Grêmio no empate em 1 a 1 que selou a queda do Corinthians – é o primeiro passo acertado rumo à volta, que ocorreria um ano depois. Mano trouxe Herrera, personagem que Menon trata com carinho, apesar da eficiência duvidosa e da fama, na Argentina, de “quase gol” – o personagem que sempre aparece nas fotos abraçando o companheiro, mas raramente é o autor do gol.

Enquanto o goleiro Felipe (“muito bom de marketing”) e o atacante Lulinha (“estava onde não devia estar” em 2007) são personagens que alternaram altos e baixos ao longo deste ano, a trajetória do atacante Dentinho é a que mais se aproxima do conto de fadas que o futebol dos dias de hoje promete.

Bruno Bonfim, nascido em 1989, virou Dentinho aos 12 anos, quando começou a se destacar no futebol.

contrário a apelidos, Paulo Cesar Carpegiani, um dos técnicos do Corinthians em 2007, pediu que ele voltasse a usar o nome de batismo. No início de 2008, porém, o craque resolveu voltar a ser chamado pelo apelido.

Nas palavras de Menon, foi a melhor contratação do Corinthians em 2008. “Chegou Dentinho e saiu Bruno Bonfim”.

“Botei na cabeça que 2008 vai ser um grande ano para mim e estou me preparando para isso. Em casa, pego um pente e faço de conta que é um microfone para aprender a dar entrevistas. A minha namorada me ajuda”, disse o atacante.

Ao final do ano, Dentinho contabilizava 24 gols marcados – 14 pela Copa do Brasil.

Seus pais, cujos nomes (Adonis e Eunice) estão tatuados em seus braços, eram funcionários de um orfanato. Hoje, moram em um apartamento comprado pelo filho

A crônica de cada partida da Série B é temperada por observações laterais, mas muito perspicazes, de Menon, como na vitória do Corinthians por 4 a 1 sobre o Barueri, no primeiro turno:

“A vista de quem está sentado em uma das cabines de imprensa da Arena Barueri é impressionante. Basta abaixar um poucos os olhos para se ver um estádio moderno, projetado para abrigar algum jogo da Copa do Mundo de 2014. Sonho que não vai se realizar, é lógico. Quando os olhos estão mirando as arquibancadas em frente, o que se vê é uma enorme favela, que leva à pergunta inevitável: não haveria nada mais importante a se fazer em Barueri do que um estádio de futebol? Ou outra questão: vale a pena manter um time de futebol com muita verba oficial?”

Outro herói anônimo da saga corintiana é Rafael Santos Silva, o Dog.

Tinha 25 anos quando viu o time cair para a segunda divisão e prometeu acompanhar todos os jogos na Série B.

Dog assistiu os 20 primeiros.

No domingo, um dia após a vitória sobre o CRB por 2 a 1 em Maceió, foi fazer um passeio em uma praia, distante 66 km da capital, caiu no mar, afogou-se e morreu. O presidente do Corinthians, registra Menon, foi ao enterro de Dog. Os pais do jovem, para cumprir a promessa dele, assistiram os demais 18 jogos do time na Série B.

Há outros personagens fascinantes nesta epopéia.

Gente como René, goleiro do Barueri e sócio número 20.070 da Gaviões da Fiel.

Ou L., 18 anos, interno da Fundação Casa, ex-Febem, que assistiu ao lado do ex-craque Zé Maria a vitória sobre o Ceará por 2 a 0, jogo que garantiu a volta do Corinthians à Série A com seis rodadas de antecedência.

Enfim, num ano que tinha tudo para ser uma página a ser esquecida, o Corinthians venceu 45 partidas – foi o time brasileiro que mais venceu – e transformou sua saga num evento memorável, que este livro ajudará a eternizar na memória do torcedor.

Fonte: Blog do Juca

Sim, sou corintiano até o fim, hehe.

[singlepic=4,320,240,,]

12/05/2008

e no dia das mães…

por @tomfernandes

“Livro é igual a filho, demora noves meses pra nascer, enche as paciências, enjoa, mas, quando nasce, você o acha a coisa mais fofa do mundo.” [Tom Fernandes]

Esta era pra ser minha homenagem ao dia das mães [ah, essa gata da foto é minha mãe], mas acabou virando ‘citação de mim mesmo’. Como assim? Explico: veja só!