Posts tagged ‘minha língua, essa analfabeta’

12/02/2008

"Graças aDeus, nunca fui de ler livro!"

por @tomfernandes

Texto da Bia Abramo, para a Folha de São Paulo.

No “BBB”, o temor de pertencer ao esquisito grupo dos que “são de ler livro” fala por si só. “GRAÇAS A Deus, nunca fui de ler livro.”

A frase, definitiva, é de uma das ilustres celebridades criadas no laboratório do “BBB”, um tal de Fernando. É má política ficar indignado com aquilo que já sabemos não ser digno de atenção, mas, ainda assim, por vezes a estupidez dá tais sustos na gente que é difícil ficar impassível.

Neste caso, o mais intrigante não é, evidentemente, o fato de o moço não ser de “ler livros”. A cultura escrita não goza lá de muito prestígio entre nós, brasileiros, falando de maneira bem genérica. Se consideramos o microcosmo do “BBB” -gente jovem, considerada bonita, com pendores exibicionistas, ambição de se tornar celebridade e propensa a ganhar dinheiro fácil-, o índice deve tender a quase zero.

O mais revelador é o alívio com que ele se expressa, como a dizer: “Graças a Deus não fui amaldiçoado com essa estranhíssima vontade, esse gosto bizarro, esse defeito de caráter”.

Qual é, exatamente, a ameaça que se pensa haver nos livros, ficamos sem saber, mas o temor de pertencer ao esquisito grupo daqueles que “são de ler livro” fala por si só.

Por outro lado, é nesses momentos de espontaneidade real que o “BBB” tem algum interesse. Embora aqueles que chegaram ao programa não sejam, a rigor, representativos de nada, nessas brechas escapa o que vai na cabeça dessas moças e rapazes, de certa forma parecidos com os que estão do lado de fora.

O desprestígio do conhecimento letrado é marca funda da sociedade brasileira – e quando é formulado com tanta veemência e clareza, é preciso prestar atenção.

Folha Ilustrada – 03.02.2008 – Bia Abramo

Agora sim dá pra entender a audiência que esses programas atraem.

29/07/2007

Como escrever bonito na internet

por @tomfernandes

Acho que esse é o primeiro texto ‘brabo‘ , do excepcional Paulo Roberto Purim, ou Paulo Brabo, que posto neste blogue. Tá aí, “como escrever bonito na internet“:

A maioria de nós aprendeu a escrever com caneta e papel, e não está devidamente preparada para domar a tipografia do computador, que imita a da página impressa. Antes que esta geração morra no deserto e levante-se uma nova criada no leite do mouse, quero deixar minha contribuição em forma de manual de estilo. Se você seguir essas simples regras de tipografia ninguém vai perceber que o que você escreve não faz sentido algum.

Acredite, eu sei.

1. Comece as frases com letra maiúscula
No messenger e nas janelas de bate-papo pode fazer sentido ignorar as maiúsculas, mas respeite a biodiversidade tipográfica e preserve essa espécie em extinção na internet.

Tosco:
ae mano, passei aqui pra cobrar aquela grana. pode ser ou tá difícil?
Classudo:
Amigo, passei aqui para te dar esse dinheiro. Você quer mais?

2. Não escreva SÓ COM MAIÚSCULAS
Segundo as obscuras regras da etiqueta da internet, escrever com maiúsculas É GRITAR, motivo pelo qual a conduta deve ser descartada como deselegante. MAIS IMPORTANTE É QUE UM TEXTO ESCRITO SÓ COM MAIÚSCULAS FICA AGRESSIVO E CANSATIVO DE SE LER; ACREDITE, O SEU LEITOR TEM MAIS O QUE FAZER NA INTERNET DO QUE FICAR TENTANDO DECIFRAR O SEU PARÁGRAFO.

Tosco:
BRABO, VOCÊ ME DEVE GRANA. TE PEGO NA SAÍDA.

10/05/2007

Jornalismo moderno?

por @tomfernandes

“Os repórteres pesquisam sobre você no Google, encontram seis frases suas. A reportagem já está quase pronta quando eles a entrevistam.”

 

Uma Thurman, atriz americana, ao se queixar da imprensa

09/11/2006

"O português é muito difícil!"

por @tomfernandes

Não faço a mínima idéia de quem tenha escrito. Recebi este texto de umas três fontes diferentes. O que sei é que ele é muito bom. Veja onde nós chegaremos…

Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica.

Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.

No primeiro ano, o “Ç” vai substituir o “S” e o “C” sibilantes, e o “Z” e o “S” suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O “C” duro e o “QU” em que o “U” não é pronunçiado çerão trokados pelo “K”, já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.