Posts tagged ‘poesia’

29/04/2010

Metáfora, metafísica minha

por @tomfernandes

Metáfora, metafísica minha

Cansei do deus dissecado da teologia

Só vou ler Téo agora na poesia.

Mesmo que dê alguma agonia

A’lma não fica mais vazia.

.

Cansei de formas, reformas e quadrados

Quero achá-lo onde não se explica

Onde teoremas não são cogitados

E o coração repica.

.

Onde todos disserem: está lá

É lá que não estarei

Estarei cá a sós.

.

Só ele e eu num blablablá

Que sou amigo do rei

E ele um de nós.

.

Tom Fernandes

[créditos da foto]

22/08/2009

Poesia amiga

por @tomfernandes

Segue abaixo um dos poemas de Leandro Miranda, historiador, poeta, visionário da web e um dos grandes amigos que Deus me deu nesta vida. Hoje ele está em sampa, onde me espera em breve pra discutirmos intrigas teologo-intelectuais.

Ao meu irmão

Não a Terra e seus rincões a amar.

Pois nestes zumbidos que a vida traz,

Não há nada que pare uma amizade de paz,

Sem distâncias a separar corações,

Nem eternas dívidas e separações.

Pois enquanto houver ar,

Enquanto houver mar,

Geleiras a cuidar,

Sonhos a compartilhar,

Não há nada que nos faça parar.

Pois num Sonho cabem senões,

Em ondas existem um girar,

Pois os habitantes irão se acabar,

12/02/2009

e se Deus nos desse asas?

por @tomfernandes

Gostaria de ter asas.


Às vezes queria poder criar asas e sair de mim.
Dar uma volta, olhar outras pessoas, com outros hábitos, ouvir outras vozes, ver outras almas.
Queria conhece novas paisagens.
Voar, voar e voar.
Ser leve, lânguida e singela.
Eu seria somente eu, e isso bastaria.
Seria intangível, intocável pelos infernos humanos.
Seria boa e bela.
Com minhas asas as maldades não me alcançariam.
Se tivesse asas talvez as pessoas se deixassem amar, sem duvidar ou magoar.
Talvez as pessoas abrissem seus corações à beleza de minhas asas.
As pessoas olhariam pra mim e me enxergariam, quem sabe?
Gostaria de ter asas, mas também um lugar seguro para pousar.
Hoje eu queria ter asas e voar.
Voar pra longe, bem longe.

Raíssas

12/02/2009

Amanhã…

por @tomfernandes
          Adiamento

        image

         

        Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
        Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
        E assim será possível; mas hoje não…
        Não, hoje nada; hoje não posso.
        A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
        O sono da minha vida real, intercalado,
        O cansaço antecipado e infinito,
        Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico…
        Esta espécie de alma…
        Só depois de amanhã…
        Hoje quero preparar-me,
        Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte…
        Ele é que é decisivo.
        Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
        Amanhã é o dia dos planos.
        Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
        Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
        Tenho vontade de chorar,
        Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

        Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
        Só depois de amanhã…
        Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
        Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
        Depois de amanhã serei outro,
        A minha vida triunfar-se-á,
        Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
        Serão convocadas por um edital…
        Mas por um edital de amanhã…
        Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
        Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
        Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
        Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo…
        Antes, não…
        Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
        Só depois de amanhã…
        Tenho sono como o frio de um cão vadio.
        Tenho muito sono.
        Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
        Sim, talvez só depois de amanhã…

        O porvir…
        Sim, o porvir…

          Álvaro de Campos [heterônimo de Fernando Pessoa]
          Ouvi, sim, ouvi, este poema pela primeira vez na voz do Jô Soares, em um CD emprestado por um amigo. Ah, passei aquele dia a pensar nas palavras pensando na minha própria tendência a procrastinar. Mas, sobre isso, falarei depois de amanhã, hoje não…
        11/02/2009

        O que floresce de suas mãos?

        por @tomfernandes

        Diz o ditado. Ou seria sina, provérbio, conselho, parábola? Enfim. Nós colhemos o que plantamos. Há alguma religião que não diga isso? De alguma maneira, trocando em miúdos ou palavras, o sentido é sempre igual: recebemos o que damos. Há quem se declare ateu e rechace tal afirmação. Esqueçamos os dogmas, é o momento em que Newton surge com a sua Lei da Ação e Reação: “Para cada ação há sempre uma reação, oposta e de mesma intensidade”. Indagação. Agora surgirão os agnósticos, firmes na dúvida de que até Newton poderia ter se enganado. Momento da argumentação derradeira: todos colhemos o que plantamos. Lembre-se daquela experiência dos primeiros anos da escola, quando a professora nos pedia para colocar um feijãozinho no algodão com água. Passados alguns dias, seríamos iguais a João, donos de nosso próprio pé de feijão. E eu nunca ouvi alguém contar, depois da experiência, que conseguiu um pé de amora. Nunca.

        Cássia Pires [minha autora contemporânea favorita]